Este "não é o momento para uma paralisação"

O presidente da TAP, Fernando Pinto, apelou hoje ao "bom senso" de todos os trabalhadores da empresa, considerando que este "não é o momento para uma paralisação", quando os sindicatos preparam uma greve para março.

"Vimos de um processo de quase privatização, estamos no período de reestruturação e não é o momento para uma paralisação. Todos sabemos quanto a empresa sofre, em termos de tesouraria, com cada dia de paralisação. É o momento para ter muito bom senso", defendeu hoje Fernando Pinto, na conferência de imprensa para apresentação dos resultados da TAP S.A. em 2012.

Como a Lusa noticiou na segunda-feira, os sindicatos da TAP vão propor aos trabalhadores da companhia a realização de uma greve já em março, estando em aberto os dias de paralisação, para contestar os cortes salariais de que vão ser alvo, pela primeira vez, em fevereiro.

Em declarações aos jornalistas, Fernando Pinto admitiu que "uma paralisação é uma grande preocupação", uma vez que "no momento atual, em que se define se a empresa vai ou não ser privatizada, é a melhor forma de tirar valor".

"É um momento crítico para gerar instabilidade", declarou o presidente da companhia, que hoje comunicou que vai continuar à frente da TAP até se concretizar a privatização.

Questionado sobre os planos para uma greve, Fernando Pinto reconheceu que os trabalhadores vão começar a sentir, a partir de fevereiro, a redução dos salários, um corte "que vem em cima de outras reduções", como "a redução drástica das horas extraordinárias".

Escusando-se a comentar a lei do Orçamento do Estado para 2013, que deixou de permitir adaptações aos cortes salariais, entre os 3,5% e 10%, em salários brutos acima dos 1.500 euros, o presidente da TAP disse hoje que "não permite qualquer desvio".

"Tem que se buscar ideias que no futuro permitam compensar o trabalhador, porque agora a lei não permite", acrescentou.

Os pormenores do protesto aos cortes salariais na TAP vão ser decididos até ao final da semana pelos trabalhadores da TAP, em assembleias-gerais e em plenários de trabalhadores, mas os oito sindicatos vão propor a convocação de uma greve para março, um cenário que foi debatido na reunião da passada sexta-feira, em que faltou acordo em relação à data e ao número de dias de paralisação, segundo adiantaram à Lusa dirigentes sindicais.

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