Estado teria poupado 380 ME se tivesse aceitado plano Cadilhe

O administrador do BPN aquando da nacionalização Meira Fernandes disse hoje que o resgate do banco teria custado menos 380 milhões de euros aos contribuintes se as autoridades tivessem aceitado o plano de reestruturação de Miguel Cadilhe.

Questionado pelo deputado do PSD Afonso Oliveira sobre se o plano proposto pela administração de Miguel Cadilhe para sanear o Banco Português de Negócios teria custado menos aos contribuintes do que a nacionalização, o ex-administrador da instituição bancária disse que não iria entrar em especulações sobre isso, mas adiantou que, caso tivesse sido aceite, o Estado teria poupado 380 milhões de euros, mesmo que mais tarde tivesse na mesma nacionalizado o BPN.

"Como havia uma participação dos acionistas de 380 milhões de euros, em qualquer caso era sempre menos 380 milhões de euros. É aritmética, porque o Governo podia depois nacionalizar [o banco] em qualquer altura", disse hoje João Meira Fernandes, que fez parte da administração do BPN durante a liderança de Miguel Cadilhe, estando em funções quando se dá a nacionalização, em novembro de 2008.

O plano de reestruturação de Cadilhe para o BPN [o ex-ministro das Finanças liderou o banco entre junho e novembro de 2008] passava por um misto de capitais públicos e privados, com a injeção de 380 milhões de euros pelos acionistas, enquanto o Estado entrava com 600 milhões de euros em ações preferenciais, com um dividendo prioritário.

O Governo acabou por optar pela nacionalização do BPN.

A deputada socialista Ana Catarina Mendes questionou a viabilidade do plano da administração liderada por Miguel Cadilhe, afirmando que "nem os acionistas conseguiram fazer a injeção de capital" que o conselho de administração precisava para regularizar as contas do banco.

Meira Fernandes falou ainda sobre o Banco Insular que, em resposta ao deputado do Bloco de Esquerda João Semedo, disse ter tido conhecimento depois de já estar na administração do BPN.

"Na minha opinião, o Banco Insular não era do BPN, era do Dr. Vaz Mascarenhas [ex-presidente do Banco Insular] e do Dr. Oliveira e Costa [fundador e ex-presidente do BPN]. Se corresse bem era deles, se corresse mal era do BPN, é a minha convicção", afirmou o ex-administrador do BPN.

Meira Mendes é co-autor de um livro sobre o banco, intitulado BPN - Estado a Mais, Supervisão a Menos, que, segundo o próprio, serviu para deixar "expresso os responsáveis pelas irregularidades [no BPN], os custos que os contribuintes tiveram de suportar e como as autoridades de supervisão foram ineficientes".

O livro, escrito em colaboração com João Carvalho das Neves, colega na administração Cadilhe no BPN, serviu também para "deixar claro que havia alternativa à nacionalização", afirmou.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG