Espanha continua a ser o primeiro investidor em Portugal

O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) disse à Lusa que Espanha continua a ser o primeiro investidor no mercado português, apesar da retração do investimento de Madrid no estrangeiro.

Em declarações feitas na véspera da XXVI Cimeira Ibérica - que junta na segunda-feira, em Madrid, os chefes dos governos português, Pedor Passos Coelho, e espanhol, Mariano Rajoy -, Pedro Reis disse que "apesar da crise, Espanha continua a ser o primeiro investidor em Portugal, num cenário de forte retração do investimento espanhol no exterior", que em termos globais recuou ao nível dos anos 90, ou seja, menos 60% em relação a 2011.

Isso "coloca em evidência o facto de as empresas espanholas continuarem a procurar Portugal porque o nosso país costuma ser, por razões conhecidas, o primeiro mercado de internacionalização de muitas empresas espanholas", nomeadamente das pequenas e médias empresas (PME), disse.

Para Pedro Reis, "Portugal continua a ser atrativo para as PME espanholas", adiantando que as entidades que têm procurado informação junto da AICEP "são sobretudo das áreas dos serviços, consultoria e agroalimentar".

O presidente da AICEP justificou esta tendência com o facto de a proposta de valor de Portugal "ser competitiva em relação a Espanha e com vista a conseguir parcerias com empresas portuguesas para chegar a terceiros mercados, nomeadamente africanos".

Pedro Reis considerou que "as relações bilaterais luso-espanholas continuam e continuarão no futuro a ser determinantes, pois naturalmente Espanha continuará a ser um mercado de grande dimensão 'ao lado de casa', com um grupo muito importante de empresas com presença mundial" com as quais as empresas portuguesas podem facilmente trabalhar.

"Um natural mercado-teste para muitos serviços e produtos de origem portuguesa e que pode ser potenciado, tendo em conta o enorme espaço, ainda pouco explorado, para a cooperação entre empresas dos dois países em mercados de forte crescimento como a América Latina ou África", disse.

O aprofundamento das relações bilaterais entre os dois países "é uma inevitabilidade no futuro, até pela necessidade crescente que as empresas de ambos países têm de se internacionalizar e aproveitar oportunidades conjuntas fora do espaço europeu", concluiu Pedro Reis.

As exportações portuguesas de bens para Espanha subiram 2% no primeiro trimestre deste ano, face a igual período do ano passado, para 2.713 milhões de euros, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Em igual período, as compras de produtos espanhóis recuaram 11,1% para 4.172 milhões de euros, com um saldo da balança comercial negativo para Portugal de 1.458 milhões de euros.

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