Equilíbrio da Zona Euro não passa por enfraquecer Berlim

O representante diplomático da Alemanha em Lisboa defendeu hoje que a solução para o equilíbrio comercial na zona euro é o crescimento da competitividade dos países em crise, nomeadamente Portugal, e não a redução das exportações alemãs.

"A chave para solucionar este desafio" é "o fortalecimento da competitividade portuguesa e não o enfraquecimento das exportações alemãs", afirmou em declarações à Lusa Robert Weber, encarregado de negócios da embaixada alemã e que está a dirigir até janeiro a representação na ausência do embaixador.

O diplomata falava na sequência da decisão da Comissão Europeia, anunciada na quarta-feira, de abrir uma investigação a 16 países, entre os quais a Alemanha, para examinar os seus excedentes comerciais, por considerá-los desequilibrados no âmbito da zona euro.

"A Alemanha atingiu um excedente comercial importante (...) que justifica a investigação", afirmou nesse dia o presidente da Comissão, Durão Barroso.

Para o encarregado de negócios da embaixada alemã, o equilíbrio tem sido prosseguido por Portugal, embora à custa de "medidas indubitavelmente duras".

"O 'gap' comercial entre Portugal e a Alemanha está a ficar mais estreito, principalmente devido ao crescimento da competitividade portuguesa", considerou, adiantando que, "em 2006, Portugal apresentava um saldo negativo entre entradas provenientes da Alemanha e as suas exportações para a Alemanha na ordem de 3,3 mil milhões de euros".

No entanto, frisou, "a dinâmica da indústria exportadora portuguesa permitiu reduzir este saldo para 0,8 mil milhões (negativos) em 2012", o que se deve "não só à redução das importações alemãs, mas principalmente ao aumento das exportações para a Alemanha".

Para o representante da embaixada alemã, o excedente comercial da Alemanha não prejudica em nada os restantes estados-membros da União Europeia, o que, segundo sublinhou, foi também defendido num estudo do instituto alemão responsável pela análise da economia.

"Um estudo do Institut der deutschen Wirtschaft (IW-Köln) concluiu que os parceiros europeus têm lucrado com a força exportadora da Alemanha", avançou Robert Weber, referindo que, "quando as exportações alemãs crescem 10%, tal desencadeia um aumento de 9% nos fornecimentos de produtos e serviços dos parceiros europeus à Alemanha".

Na sequência do processo de investigação iniciado em 16 estados da União Europeia, a Comissão deverá enviar, na próxima primavera, algumas recomendações à Alemanha e aos restantes países.

Questionado se a Alemanha está disposta a reduzir o excedente, com medidas como o aumento dos gastos internos ou a subida do salário mínimo, Robert Weber lembra que se trata de um mercado livre.

"Basta observar os números para constatar que numa economia de mercado livre, esta dinâmica de investimento, despesas e exportações não necessita de dirigismos económicos", afirmou, lembrando que "a própria Alemanha (Leste) tem experiência nos efeitos nocivos de uma economia planificada".

De acordo com o responsável, o recuo do excedente comercial previsto pela Comissão Europeia será para 6,4% do PIB nos próximos dois anos, o que deverá acontecer devido à evolução da procura interna alemã, impulsionada pelo consumo interno, pelo emprego crescente e pelos aumentos salariais.

Robert Weber é atualmente e até janeiro do próximo ano o representante da Embaixada alemã em Portugal, depois do embaixador Helmut Elfenkämper se ter reformado e deixado a representação diplomática a 31 de outubro.

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