Economista espanhol propõe plano fiscal europeu

O economista espanhol José Carlos Diez propôs hoje a adoção de estímulos fiscais através de um plano europeu "concentrado em países em depressão como Espanha ou Portugal".

Esta é uma das ideias do economista chefe da Intermoney que defende no seu livro "Há vida depois da crise" e onde explica como se chegou à situação atual e o que se pode fazer para sair dela.

O economista, em entrevista à agência EFE, considera que Banco Central Europeu (BCE) deveria intervir massivamente nos mercados comprando dívida pública para "normalizar" o acesso ao financiamento, baixar o valor do euro para que as praias espanholas e portuguesas se "encham" de turistas e cresçam as exportações.

Reconhece que o primeiro impacto da medida seria negativo porque "teria-se reestruturar toda a dívida externa", mas está convencido que em pouco tempo "veríamos baixar a taxa de desemprego".

José Carlos Diez, muito crítico em relação às receitas de austeridade impostas por Bruxelas, deteta dois problemas na Europa: "A incapacidade para tomar decisões e assumir riscos", e a "dupla moralidade" de quem preconiza a austeridade sem aplica-la, como é o caso da Alemanha, onde um em cada três empregos criados desde 2009 é público.

"A chanceler alemã conseguiu converter uma crise da dívida em uma crise orçamental e impor os seus dogmas neocolonialistas para derrubar o Estado social europeu", sublinha.

Não obstante, acredita que Espanha também é culpada desta situação por se "sobrendividar junto dos fundos e bancos alemães que financiaram a bolha especulativa", ainda que Angela Merkel seja a "comandante dos bombeiros que impede que o helicópetro do BCE atire com a água para o incêndio".

José Carlos Diez critica também o BCE por o considerar uma "fábrica de desculpas e lamentos" que "chega sempre tarde e faz demasiado pouco".

"Se têm medo de intervir, que sejam honestos e digam que se vão embora. Se o ser humano não assumisse riscos ainda estariamos a andar em quatro patas e a subir árvores", adiantou.

O economista considera que Europa deveria seguir o exemplo dos Estados Unidos que, sem recorrer ao "austercídio" e fomentando o crescimento, já conseguiu reduzir o seu défice no dobro do que conseguiram o conjunto dos países europeus.

José Carlos Díez mostra-se convencido de que a Europa sairá da crise, mas com importnates "cicatrizes" em forma de desemprego e pobreza, pelo que reclama uma atuação rápida a favor das famílias e, sobretudo, das pequenas e médias empresas.

Afirma que as suas propostas são "universais" e dá o exemplo do Japão, cuja política para impulsionar o crescimento permitiu que a economia crescesse 3,5% no primeiro trimestre do ano.

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