Economia espanhola terá crescimento "débil" e enfrenta riscos

A OCDE antecipa que a economia espanhola registe um crescimento débil nos próximos dois anos, impulsionado pelo setor exterior e por maior competitividade, mas enfrenta riscos associados à procura interna e a eventuais debilidades na zona euro.

As previsões económicas de outono divulgadas hoje pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) antecipam que a economia espanhola cresça 0,5% em 2014, com o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer 1% no ano seguinte.

"Depois de dois anos de recessão, a economia espanhola está a mostrar sinais de estabilização. As exportações estão a crescer de forma sólida, as quotas de mercado a aumentar e a o saldo da conta corrente é excedente", refere o boletim hoje divulgado.

"Indicadores mais recentes sugerem que as quedas na procura internar começam a diminuir", refere.

Para a OCDE, o crescimento débil da economia não representará melhorias no mercado de trabalho ainda que antecipe que o desemprego deixe de aumentar em 2014 (cairá de 26,4 para 26,3% no próximo ano e para 25,6% em 2015).

O Governo, sustenta a organização, deve continuar no seu percurso de consolidação fiscal, procurando implementar o seu programa de reformas, mas deve introduzir novas medidas de formação e de ativação laboral para "facilitar a mobilidade" e reduzir o desemprego, especialmente jovem.

Em termos das contas públicas, a OCDE antecipa um défice de 6,1% em 2014 (o Governo espanhol prevê 5,8%) e de 5,1% em 2015. A dívida aumentará de 99,6% do PIB este ano para 104,8% em 2014 e para 108,7% em 2015.

Na sua análise, a OCDE destaca que, apesar de grandes avanços na restruturação e capitalização da banca, "o crédito continua a cair", com "fraca procura", mas com os juros dos créditos para novos empréstimos a Pequenas e Médias Empresas (PME) a "aumentarem significativamente, sugerindo a existência de "restrições na oferta".

Bancos que enfrentam "crescente crédito de cobrança duvidosa e novos testes de 'stress' estão a manter os critérios de crédito restritos. Além disso a diferença entre taxas de juros de empréstimos na zona euro e em Espanha continuam a aumentar", sublinha a OCDE

A nível publico a OCDE antecipa que a consolidação orçamental continue até 2015, ainda que a um ritmo mais lento do que este ano.

A OCDE considera, por isso, que continua a haver riscos nos próximos anos, como a possibilidade de uma recuperação mais lenta do que o esperado do consumo interno (que deve cair 0,4% em 2014 e recuperar apenas 0,2% em 2015) ou o eventual contágio de turbulência financeira adicional da zona euro.

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