Dívidas das autarquias ascendem a 400 ME e colocam desafio à privatização

As dívidas das autarquias à Águas de Portugal ascendem a 400 milhões de euros e colocam um desafio à privatização da empresa, considerou à Lusa o presidente demissionário da AdP, Pedro Serra.

A dívida do grupo é de 3,2 mil milhões, o que pode causar também alguma apreensão entre os potenciais interessados na privatização. Esta dívida resulta de investimentos da AdP de cerca de 7 mil milhões de euros nos serviços de fornecimento de água às populações e o tratamento de águas residuais.

"Não tem nada a ver com problemas de financiamento de custos operacionais. Tem a ver com a realização de investimentos de 7 mil milhões de euros, para cumprir com obrigações do Estado português no quadro das diretivas comunitárias aplicáveis", afirmou o presidente da AdP.

"Era uma situação absolutamente incontornável. Não era possível ter sido feita de outra forma, a menos que o Estado mobilizasse através do respetivo orçamento montantes desta ordem de grandeza para financiar esses investimentos, o que não era desejável, não era razoável", considerou o gestor. "Qualquer empresa com o perfil da AdP, que nos últimos 15 anos tenha tido que realizar investimentos desta dimensão, teria que estar endividada como o grupo está", defendeu ainda.

Pedro Serra considerou, em todo o caso, que este problema não deve "ser objecto de grande preocupação" entre os potenciais interessados na empresa. "Tanto mais que mais de dois terços desta dívida, sensivelmente três quartos, é dívida de médio e longo prazo contratada junto do Banco Europeu de Investimentos (BEI) e da banca internacional, aliás, em condições excecionalmente favoráveis", sublinhou.

Mas se as dívidas a médio e longo prazo estão salvaguardadas, as maturidades a curto prazo não estão livres de nuvens negras, a acumulação das dívidas das autarquias ao grupo, que ascendem já a 400 milhões de euros, pode causar um problema com a dívida de curto prazo. "Pode tornar-se uma questão de dificuldade para a empresa", concedeu o gestor.

"Não são incobráveis, são atrasos nos pagamentos, que têm de ser cobrados e para os quais o Governo tem que encontrar uma solução, que poderá obrigar a uma restruturação do setor e dos serviços de águas e saneamento em Portugal. É uma questão para a qual nós já oferecemos soluções", acrescentou.

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