Dívida de Portugal é detida sobretudo por especuladores

A 'troika' alerta para os "riscos substanciais" que se colocam a Portugal, incluindo o facto de os detentores da dívida portuguesa serem sobretudo especuladores do mercado, num documento que será apresentado na sexta-feira ao Eurogrupo.

O Financial Times noticia hoje um documento conjunto da 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), que deverá ser apresentado na reunião do Eurogrupo, na sexta-feira, em Dublin.

No documento, de 12 páginas, a 'troika' e o FEEF mostram-se preocupados com o facto de a dívida portuguesa estar a receber a atenção sobretudo de investidores especulativos, e não de investidores tradicionais.

"Houve uma participação estrangeira particularmente forte no último leilão de títulos de dívida (perto de 93%), especialmente dos Estados Unidos. Mas uma porção ampla desta emissão foi estranhamente comprada por investidores especulativos como 'hedge funds' (25%) ou gestores de ativos, com uma participação extremamente baixa de investidores institucionais convencionais, bancos centrais e outras instituições oficiais (apenas 4% em fundos de pensões e seguros)", alerta o documento.

Além disso, a 'troika' aponta alguns riscos de financiamento que se colocam a Portugal, nomeadamente a elevada necessidade de financiamento nos próximos anos e o facto de o 'rating' [avaliação] atribuído pelas agências de notação financeira estar em níveis de não investimento.

Quanto às necessidades de financiamento da economia portuguesa, o documento da 'troika' e do FEEF refere que o nível de emissão de dívida antes da crise rondava os 10 a 12 mil milhões de euros por ano (7 a 8% do produto), as quais deverão ascender aos 14 a 15 mil milhões de euros em 2014 e 2015.

Na terça-feira, a Reuters tinha avançado que a 'troika' recomenda que Portugal consiga uma extensão de sete anos para o prazo de pagamento do empréstimo, citando o mesmo documento.

A notícia da Reuters avançava que a Irlanda deverá receber apoio total, ao passo que o apoio a uma extensão dos prazos a Portugal poderá ser condicional, dependendo da capacidade de o executivo liderado por Passos Coelho encontrar medidas para compensar cerca de 1.300 milhões de euros, depois de o Tribunal Constitucional ter 'chumbado' quatro artigos do Orçamento do Estado deste ano.

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