"Estamos muitas vezes em desacordo com a troika"

Está no governo desde o primeiro dia com responsabilidade direta em fazer esta ponte com a troika. O que mudou mais nestes dois anos?

Começámos de um ponto em que Portugal não tinha credibilidade e os primeiros tempos com a troika tiveram essa dificuldade acrescida: reganhar uma credibilidade perdida e reconstruir esse caminho. Aquilo que mudou foi essa capacidade de sermos credíveis. Muitas vezes as pessoas esquecem-se que essa capacidade de ser credível levou-nos a conseguir poupanças para as pessoas. Quando olhamos para trás, reparamos que a taxa de juro dos empréstimos [a Portugal] era de 5%, hoje é de 3% e conseguimos ainda fazer a extensão das maturidades [dos empréstimos].

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.