CGTP desafia patrões a aumentar salários

O líder da CGTP, Arménio Carlos, desafiou hoje as confederações patronais a aumentarem os salários dos trabalhadores e a proporem um aumento do salário mínimo nacional em resposta à proposta do Governo sobre a Taxa Social Única (TSU).

"Se, porventura, as confederações patronais estão assim tão preocupadas com esta proposta da Taxa Social Única, então a CGTP desafia-as a negociarem o aumento dos salários dos trabalhadores e do salário mínimo nacional", afirmou Arménio Carlos.

Se o desafio não for aceite, então, disse o secretário-geral da CGTP, as preocupações dos patrões são como "lágrimas de crocodilo que estão a ser carpidas em cima de outras medidas que mais não visam do que aumentar as desigualdades e o empobrecimento generalizado do país".

As confederações patronais incluem a Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e Confederação do Turismo de Portugal (CTP).

Arménio Carlos falava aos jornalistas à margem da concentração de trabalhadores da Cerâmica de Valadares que decorreu hoje à tarde em frente ao Ministério da Solidariedade e Segurança Social.

O líder da CGTP defendeu que é com o aumento dos salários, do salário mínimo nacional e das pensões, que "é possível dinamizar a procura interna e pôr as empresas a funcionar mais e a vender mais, combater o desemprego, aumentar as receitas da Segurança Social e por a economia a crescer".

O Governo e os parceiros sociais adiaram para a próxima segunda-feira uma discussão mais aprofundada sobre medidas alternativas à redução da TSU para as empresas, no final de uma reunião presidida por Pedro Passos Coelho.

A CGTP, que hoje ficou de fora desse encontro, irá participar na reunião de segunda-feira, onde promete reafirmar-se contra o aumento da TSU.

"O problema de fundo é que nós não aceitamos qualquer alteração à TSU que se traduza na redução do salário dos trabalhadores, seja de que trabalhadores forem", frisou.

Arménio Carlos acusou ainda o Governo de "procurar baralhar e deixar tudo na mesma".

"Anunciam agora que os salários dos trabalhadores até 700 euros não serão abrangidos e os restantes serão abrangidos e o que dizemos é que não aceitamos que o salário dos outros trabalhadores desça ao nível ou se aproxime daqueles que têm menos salário", sustentou.

O líder da CGTP reiterou a sua posição de que o importante é elevar todos os salários e assegurou que não vai pactuar com medidas que procurem legitimar as posições do Governo por via da Concertação Social.

"A Concertação Social não existe para dar cobertura a negócios que têm como objetivo reduzir os salários e transferir o rendimento do trabalho para o capital", concluiu.

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