Despesa pública "é o cancro da economia"

O signatário do manifesto "Despesa pública menor para um futuro melhor" José Ribeiro e Castro afirmou hoje que "a despesa pública é o cancro da economia" portuguesa e acusou o sistema político de não ter capacidade para o resolver.

O manifesto, que foi hoje apresentado em Lisboa, conta com o apoio de 74 personalidades de várias áreas da sociedade civil, estando agora aberto à população geral, vai ser entregue aos partidos com assento parlamentar e ao Presidente da República.

"A despesa pública é, nesta altura, o cancro da nossa economia, é o cancro das finanças públicas e depois espalha as suas metásteses pela economia, nos impostos que as empresas e as famílias pagam, pela seca do crédito às empresas, pela bancarrota em que nos precipitou", afirmou o deputado centrista Ribeiro e Castro aos jornalistas à margem do encontro.

O antigo presidente do CDS-PP entende que "este é um problema que tem de ser atacado", porque com "o fingimento da consolidação orçamental através do aumento da carga fiscal", o resultado é que "a dívida continua a aumentar".

Ribeiro e Castro apontou ainda "a grande frustração com o funcionamento do sistema político [que é] completamente inapropriado" porque "não consegue resolver os problemas para que ele próprio alertou, disse, referindo-se ao discurso do então primeiro-ministro Durão Barroso, que afirmou, em 2002, que "o país está de tanga".

No documento, os signatários do manifesto "Despesa pública menor para um futuro melhor" apelam ao Governo para deixar de "atuar como sendo forte com os fracos e fraco com os fortes" e reconhecem o sentimento de que as pessoas "cada vez pagam mais, sem verem, de forma palpável, a contrapartida de o Estado gastar menos".

Sublinhando que a despesa pública foi reduzida em cerca de 13 mil milhões de euros em 2011 e 2012, os signatários destacam que "esse facto não resultou da reforma do Estado, mas de um somatório de intervenções cujo efeito logo se esgotou ou então deveu-se a medidas transitórias que, terminado o seu efeito, reproduzirão nos anos seguintes os montantes anteriores".

Os responsáveis entendem que "o Governo ainda não abanou sequer o Estado paralelo" e que "deixou a meio" algumas das reformas estruturais mais importantes, apontando o caso do setor elétrico nacional.

Para estas personalidades, para se atingir uma situação sustentável de médio prazo, é preciso reduzir a despesa estrutural primária para os 33% do Produto Interno Bruto (PIB) em quatro anos e definir um teto de referência, segundo o qual o total da despesa pública não possa ultrapassar os 40% do PIB.

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