Défice seria de 8,8% sem reclassificação do aumento de capital do Banif

O défice orçamental das Administrações Públicas teria ficado nos 8,8% do PIB no primeiro trimestre sem a reclassificação dos 700 milhões de euros gastos pelo Estado com a recapitalização do Banif, acima do limite máximo estimado pela UTAO.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) informou hoje que o défice orçamental das Administrações Públicas atingiu os 10,6% no primeiro trimestre do ano, o que compara com um valor nominal do défice de 7,9% registado no período homólogo de 2012 e justificou este valor, entre outros aspetos, com a reclassificação dos 700 milhões gastos pelo Estado no aumento de capital do Banif, que passaram a ser incluídos nos cálculos do défice em contas nacionais.

No entanto, sem a inclusão desta operação, que equivale a 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB), o défice orçamental das Administrações Públicas teria ficado nos 8,8% até março, uma décima acima do limite máximo estimado pela equipa de técnicos que trabalha junto da Assembleia da República, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

A 30 de maio, a UTAO estimava que o défice orçamental em contabilidade nacional, a ótica que conta para Bruxelas, atingisse os 8% do PIB nos primeiros três meses do ano, consumindo assim mais de um terço do défice anual.

Num relatório enviado aos deputados, os técnicos calculavam ainda que o défice em contabilidade nacional teria ficado entre 7,3% e os 8,7%.

Já esta semana, no parlamento, o ministro das Finanças disse aos deputados que o resultado do défice orçamental em contabilidade nacional deveria ficar perto dos 8,7%, o valor máximo que era estimado pela UTAO.

No entanto, depois, Gaspar admitiu que o valor nominal do défice poderia atingir os 10% entre janeiro e março deste ano, uma vez que havia ainda o risco de o INE reclassificar 700 milhões de euros gastos pelo Estado de injeção de capital em instituições financeiras, valor pago para a recapitalização do Banif, acordada no final do ano passado.

Gaspar assegurou, porém, que este valor - que acabou por ser incluído nas contas do INE - não irá afetar o valor de défice para efeitos de Programa de Assistência Económica e Financeira.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG