Cortes na despesa são incontornáveis e serão feitos nem que seja por imposição

O Banco de Portugal considera que a contenção e os cortes na despesa são incontornáveis e que se esta não for feita de forma rigorosa e disciplinada pelas instituições nacionais, será imposta pelos mecanismos europeus.

Num artigo realizado pelo Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal que acompanham o Boletim Económico de Inverno hoje divulgado, onde é analisada a despesa pública em Portugal, os colaboradores da instituição dizem que mesmo estas alterações serão forçosamente feitas, a bem ou a mal.

"Se as instituições nacionais, através de uma atuação rigorosa e disciplinada, não forem capazes de o fazer de forma seletiva e refletindo escolhas coletivas informadas e claras, a redução da despesa será imposta pelos mecanismos de supervisão orçamental a nível da União Europeia e pelos mercados financeiros", diz o artigo assinado por Jorge Correia da Cunha e Cláudia Braz.

Numa análise onde se aponta um crescimento substancial até 2010 da despesa primária - em especial das pensões - é ainda considera que estes cortes terão de ser feitos para adequar o nível de despesa ao que as pessoas estão dispostas a pagar.

"A necessidade de contenção e cortes da despesa é incontornável dada a indispensabilidade de adequar o nível de despesa pública à capacidade produtiva da economia e à carga fiscal que os agentes económicos no seu conjunto estão dispostos a suportar", diz o artigo da instituição.

O artigo sublinha ainda que Portugal foi dos países da zona euro que, apesar do aumento pouco significativo do PIB per capita, registou uma das maiores subidas da despesa pública em percentagem do PIB e que em 2011 acaba mesmo por ter um nível de despesa pública total em rácio do PIB mais elevado que diversos países, incluindo alguns com um PIB por habitante substancialmente mais alto.

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