Construção critica novo atraso no TGV

A ligação Porto-Vigo só estará concluída após 2015, um atraso de dois anos. Em risco está ainda a hipótese de a alta velocidade servir o transporte de mercadorias. As associações da construção criticam o efeito de "indecisões graves" neste projecto, num ano em que o sector perdeu mais de 50 mil empregos, e enfrenta novos entraves do Tribunal de Contas

Afinal, a ligação por TGV Lisboa- -Porto deverá fazer-se antes do troço Porto-Vigo, que não estará realizada antes de 2015, dois anos após o previsto. A revelação sobre este adiamento foi ontem feita pelo ministro do Fomento espanhol após uma reunião com o ministro português das Obras Públicas e provocou reacções negativas das associações de construtores, que apontam "indecisões graves" ao Governo.

A apreensão no sector da construção devem-se ainda ao facto de se aliar à derrapagem dos prazos um eventual recuo, que poderá excluir o transporte de mercadorias da linha de alta velocidade.

"Não é possível que a linha Porto-Vigo esteja concluída antes de 2015", disse José Blanco López após o encontro com António Mendonça, justificando o atraso com a necessidade de elaborar um novo estudo para o troço entre Vigo e Porrinõ, que tem uma "orografia muito complicada". Os dois ministros decidiram ainda criar uma comissão técnica conjunta que deverá estudar a possibilidade da linha Porto-Vigo passar a servir apenas passageiros, ao contrário do que estava definido. Nesse caso em vez de uma linha de alta velocidade mista, manter-se-ia a actual linha para o transporte de mercadorias. As conclusões desse grupo de trabalho devem ser apresentadas até ao fim de Março.

O presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira, foi contundente: "O TGV Porto-Vigo só faz sentido se for uma ligação à rede espanhola de mercadorias - porque se for só para passageiros não há procura que justifique -, se passar pelo aeroporto e se , em relação às mercado- rias tiver ligação às plataformas logísticas que o Governo anunciou ir construir junto ao porto de Leixões".

Já o presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas do Norte (AICCOPN) considerou, em declarações ao DN, que "há aqui indecisões graves, quando o que o sector precisa é de rapidez".

Reis Campos lembrou que a quebra de emprego no sector - que perdeu 119 mil trabalhadores desde 2002 e 50 mil só este ano - "só não foi maior porque o Governo criou expectativas aos operadores com um ambicioso plano de obras que fizeram com que algumas empresas mantivessem o emprego". Agora, acrescentou, "verificamos que não só há concursos adiados, como obras ameaçadas pelo Tribunal de Contas. Isto tem prejuízos enormes para as empresas".

O presidente da Associação das Empresas de Construções e Obras Públicas, Ricardo Gomes, relativiza o impacto deste adiamento para o sector, "desde que se cumpra a calendarização para as restantes obras". Mais preocupante é, diz Ricardo Gomes, o inevitável atraso que as reservas levantadas pelo Tribunal de Contas às subconcessões rodoviárias vai implicar para o sector da construção ao longo do próximo ano.

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