Constâncio aprovado com críticas à supervisão em Portugal

O futuro vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, foi hoje, em Bruxelas, sujeito ao exame dos deputados dos Parlamento Europeu, tendo sido confrontado com críticas ao seu desempenho no Banco de Portugal.

O ainda governador do Banco de Portugal, que assume a vice-presidência do BCE em 01 de Junho próximo, respondeu durante duas horas às perguntas dos Eurodeputados da Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu.

Esta instituição reunida em sessão plenária quinta-feira, em Bruxelas, vai dar um parecer não vinculativo à designação de Vítor Constâncio e os chefes de Estado e de Governo, também reunidos na capital belga quinta e sexta-feira, deverão formalmente aprovar a nomeação.

O futuro vice-governador do BCE será o responsável da instituição pelas áreas da supervisão e da estabilidade financeira.

Vítor Constâncio respondeu sempre em inglês, e apenas uma vez em francês, às dezenas de perguntas feitas, algumas em português, "porque é mais fácil para todos".

O ainda governador do Banco de Portugal foi confrontado com a pergunta de uma eurodeputada luxemburguesa do Partido Popular Europeu sobre as críticas que alguns sectores em Portugal lhe fazem da forma como exerceu as suas responsabilidades de supervisão financeira nos casos BPP, BCP e BPN.

"Como se pode explicar que um homem que fracassou no seu país pode ser responsável pela supervisão na Europa?", perguntou Astrid Lulling, acrescentando que seria como "dar barras de dinamite a um pirómano".

Vítor Constâncio rejeitou as críticas feitas, recordando que mesmo o FMI fez uma análise positiva sobre a forma como o Banco de Portugal actuou fase à crise.

O governador lembrou os três casos de fraude cometidos na banca portuguesa "cometidos ao mais alto nível que não é facilmente descoberto ou identificado".

"Tenho muito orgulho no meu desempenho à frente do Banco de Portugal", concluiu Constâncio na resposta à pergunta.

O eurodeputado do CDS-PP Nuno de Melo voltou a atacar Vítor Constâncio pela sua responsabilidade na supervisão portuguesa e por haver depositantes que ainda não tiveram acesso aos seus depósitos.

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