Compositor grego apela ao levantamento patriótico

O compositor grego Mikis Theodorakis apelou ao levantamento patriótico grego contra a ilegalidade dos políticos que "orquestraram um golpe" e "entregaram a soberania" da Grécia ao estrangeiro, numa entrevista hoje divulgada pelo jornal Athens News.

Mikis Theodorakis, de 87 anos, político histórico contra a ditadura e antigo resistente contra a ocupação nazi, organizou o protesto de 12 de fevereiro em Atenas, na escadaria do parlamento, no dia em que foram aprovadas as novas políticas de austeridade.

Na entrevista, Theodorakis disse que os gregos, e não apenas a esquerda, têm a obrigação de "se levantarem", tal como fizeram contra o nazismo e contra a ditadura dos coronéis, para defenderem a soberania grega.

"Todos, não apenas a esquerda, mas sim o povo -- dos patriotas de esquerda aos patriotas de direita. A Pátria: todos unidos como um punho para um dia destronarmos governos, "troikas" e os "merkel-sarkozy", disse Theodorakis, sublinhando que o problema do país é a falta de independência.

"A Grécia é rica, o nosso povo é trabalhador. O que é nos falta? Falta-nos independência. Desde o fim da guerra civil, desde 1950, todos os grandes assuntos são decididos pelos norte-americanos. Quem são os partidos que governaram a Grécia? São os partidos que tiveram a bênção dos Estados Unidos e que juraram afastar a esquerda. Mas, hoje a esquerda patriótica está a começar a acordar. São os mesmos patriotas que salvaram a Grécia dos nazis, que combateram a Junta Militar e que trouxeram a democracia", explicou o compositor que acusou os partidos no poder de falta de legitimidade.

"Quanto aos dois partidos que têm governado a Grécia, a Nova Democracia e os socialistas do PASOK, foram eles que nos endividaram, que conduziram o país à corrupção e à dependência do FMI e à catástrofe. Isto é o que o povo pensa e o povo está a começar a perceber, a despertar e a manifestar-se", afirmou.

Na mesma entrevista, Mikis Theodorakis afirmou que o dinheiro dos resgates internacionais entra na Grécia e vai diretamente para as mãos dos credores, levando à perda de soberania.

"Isto não tem precedentes e significa que, por causa da dívida, vamos ficar atados de pés e mãos durante os próximos 150 anos. Com que direito os partidos que representam a minoria podem decidir o futuro da Grécia para o próximo século?", questionou o músico e compositor, sublinhando que o país já está na bancarrota.

"Mais de 430 mil empresários já fecharam negócios e o desemprego é superior a 20 por cento. Será que ninguém vê o lixo nas ruas e as pessoas a dormirem nos passeios? Aqueles que nos levaram de forma consciente à bancarrota -- a 'troika' e o governo -- dizem que agora nos querem salvar da bancarrota", frisou.

Para Theodorakis, os partidos e os deputados não podem decidir o futuro dos gregos.

"Os deputados não têm legitimidade e não podem negociar a integridade grega. Todos os pontos do memorando são totalmente ilegais. A 'troika', o governo e todos os políticos tomaram decisões ilegítimas e tenho a certeza que um dia vão ser julgados e punidos", disse Theodorakis, que acusou o governo de golpe de Estado.

"Do ponto de vista constitucional são ilegais porque orquestraram um golpe, tal como os membros da Junta", afirmou.

Theodorakis, com Manolis Glezos, outro popular veterano da resistência contra o nazismo, fazem parte do novo grupo político Ellada e que recentemente organizou o "cerco" ao parlamento grego.

"Apelámos ao povo para inundar Atenas em protesto e todos vieram: Foram centenas de milhares", disse.

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