Comissário alemão quer "saneamento na Europa"

O comissário europeu da Energia, o alemão Günter Oettinger, provocou hoje polémica na Alemanha depois de serem difundidas declarações suas a dizer que a Europa "precisa de saneamento" e a afirmar que não pode dar lições ao mundo.

Em vez de combater a crise, a Europa festeja-se a si mesma e comporta-se como se fosse um "centro educacional" para o resto do mundo, afirmou Oettinger, que integra o partido da chanceler Angela Merkel, na Assembleia Anual das Câmaras de Comércio Germano-Belga-Luxemburguesas.

As palavras do alemão foram reproduzidas hoje pelo diário Bild, após a intervenção de terça-feira do eurocomissário naquele fórum, segundo a agência EFE.

Oettinger referiu-se à Bulgária, Roménia e Itália como países "fundamentalmente ingovernáveis", dizendo que entre outros membros da União Europeia cresce o eurocepticismo comum entre os britânicos.

A França não está "nada preparada para fazer o que seria necessário", como cortar pensões, prolongar a vida laboral ativa e reduzir os gastos públicos num país que, segundo cita o Bild, tem o dobro de funcionários públicos da média europeia.

Sobre o seu país, Oettinger defendeu que a Alemanha chegou ao limite das suas forças e não recuperará o perdido, advertindo que podia estragar as realizações do programa de reforma da Agenda 2010, liderado pelo Governo democrata-verde Social da Gerhard Schröder (1998-2005).

Conhecido pelos compatriotas como uma pessoa habituada a falar sem tabus, as declarações do alemão provocaram reações de ira na oposição social-democrata, ao passo que Merkel se mostrou cautelosa.

A chanceler evitou entrar em detalhes com o argumento de que não ouviu as palavras de Oettinger, depois de ter aparecido em público ao lado do primeiro ministro da Lituânia, que realiza uma visita de trabalho a Berlim.

A União Europeia deve "concentrar-se no que tem por diante", disse Merkel, para de seguida declinar mais comentários.

No meio da polémica, o próprio Oettinger publicou uma mensagem na rede social Twitter, na qual explica que simplesmente expressou "preocupações pessoais", que "a Europa continua numa situação muito difícil" e que o processo de reformas não terminou.

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