CGTP quer mais anos para redução do défice

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, exigiu hoje ao Governo que peça mais anos à 'troika' para a redução do défice orçamental, defendendo que "o Estado teria mais condições para realizar o crescimento económico público".

No discurso na manifestação "Nem Merkel, nem 'troikas'", com início na praça Luís de Camões em direção à Assembleia da República, Arménio Carlos defendeu que "a redução do défice terá de ser faseada" e comparou a realidade portuguesa com a da Alemanha.

"É necessário o prorrogamento da redução do défice. É fundamental. Não podemos reduzir três por cento no défice como a Alemanha. No caso de Portugal, a redução vai demorar muitos mais anos", disse o sindicalista, perante algumas centenas de manifestantes, que empunhavam cartazes.

Arménio Carlos aludiu ao "quadro económico" de Portugal e disse que haverá "mais desemprego, mais pobreza e mais discriminação" se ao país não for concedido um período mais alargado para reduzir o défice nas contas públicas.

O líder da central sindical nacional defendeu também "a renegociação da dívida" do memorando de entendimento e assinalou que o Governo pode "voltar a negociar os 7,5 mil milhões de euros de juros".

"Se o fizesse, apenas pagaria pouco mais de três milhões de euros e os quatro milhões seriam aplicados em Portugal", notou, criticando o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho pelas políticas "seguidistas", o que provocou um coro de protestos dos manifestantes.

O secretário-geral da CGTP voltou a exigir a demissão do Governo da maioria PSD/CDS-PP, afirmando que não existem "perspectivas de desenvolvimento do país".

"Temos um Governo que não defende os interesses do país e não salvaguarda os interesses dos trabalhadores. Este é um Governo sem credibilidade, que está de costas voltadas para o povo", frisou, enaltecendo a presença de trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

Arménio Carlos afirmou que nada tem contra a chanceler alemã Angela Merkel, que faz hoje uma visita relâmpago a Lisboa, mas sublinhou que está contra "a política europeia".

"Queremos uma Europa que respeite a autonomia, o saber e o sentir de cada estado. Queremos uma Europa solidária, em que todos os povos sejam respeitados e onde haja harmonização social", disse.

Em referência a Merkel, o sindicalista declarou ainda que a governante alemã está a desenvolver "uma campanha contra os países da Europa do sul" e que "mentiu" ao dizer que "os portugueses só queriam praia e que se produzia pouco em Portugal".

"A grande verdade é que, hoje, mais do que nunca, trabalhamos mais, ganhamos menos, há mais sinistralidade e menos proteção social, há mais desemprego e mais precaridade", observou, antes da manifestação se encaminhar para a Assembleia da República, dado que não foi autorizada pela Polícia a dirigir-se à residência oficial do primeiro-ministro.

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