CGTP não aceita revisão do Código do Trabalho

O secretário-geral da CGTP avisou hoje o Governo e as confederações patronais que a intersindical "tudo fará para impedir a promulgação e aplicação" da revisão das leis laborais, porque não aceita a situação de "profunda fragilidade" dos trabalhadores.

Arménio Carlos falava à agência Lusa depois de ter discursado no Largo Camões, perante centenas de jovens manifestantes, no final de uma manifestação convocada pela CGTP -- interjovem contra a precariedade e o desemprego.

"Não aceitamos um conjunto de propostas que deixariam os trabalhadores numa situação de profunda fragilidade nas relações com as entidades patronais, dando a estas a unilateralidade de impor as regras do jogo de acordo com os seus objetivos. Os trabalhadores não são mercadoria e exigem ser respeitados", disse o secretário-geral da CGTP.

O sindicalista deixou assim em aberto a possibilidade de novas mobilizações dos trabalhadores, mas afirmou que não se trata da "luta pela luta".

No discurso para uma audiência que assobiava qualquer menção ao Governo, à banca e às grandes empresas, Arménio Carlos reiterou que a CGTP "não vai aceitar que o emprego para os jovens seja posto em causa e que o trabalho precário seja acompanhado de baixos salários e baixos direitos".

"Não aceitaremos que os jovens estejam condenados a perder a sua autonomia", sublinhou, dizendo que quase todos são obrigados a permanecer em casa dos pais por não terem meios para subsistir sozinhos.

"Independentemente das propostas que hoje estão na Assembleia da República, nós não vamos desistir. O Governo pode ter a força de uma maioria absoluta, mas nós temos a força da nossa razão. A esmagadora maioria da opinião pública já percebeu que o que está aqui em causa é um retrocesso", disse Arménio Carlos.

Sobre a convulsão social que se vive em Espanha, que na passada semana enfrentou também uma greve geral, marcada por feridos, detidos e vários desacatos, Arménio Carlos aproveitou para manifestar a sua solidariedade, para sublinhar diferenças entre o país vizinho e Portugal e deixar críticas à UGT.

"[Entre Espanha e Portugal] é a diferença entre o ser coerente e o dizer hoje uma coisa e amanhã fazer outra", afirmou, relembrando que em Espanha a greve geral foi apoiada por todas as intersindicais.

"Cá a UGT aceitou e assinou as alterações ao Código do Trabalho", criticou Arménio Carlos.

O sindicalista referiu ainda a reunião que a CGTP tem agendada para a próxima semana com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, durante a qual pretende entregar um documento com propostas que contestam a revisão da legislação laboral, a atual política económica e que pretendem promover o emprego e o combate à precariedade.

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