CGTP: Lei reduz necessidade de 100 mil trabalhadores

O corte de quatro feriados e da majoração de três dias de férias, previsto na proposta de revisão do Código do Trabalho, aumenta as horas de trabalho por individuo e reduz a necessidade de quase 100 mil trabalhadores.

A estimativa é feita pela CGTP que adianta que "considerando apenas a redução do número de feriados e a eliminação da majoração dos três dias de férias, as mesmas horas de trabalho poderão ser efetuadas com menos 98 mil trabalhadores", diz a Intersindical no parecer que hoje vai entregar no Parlamento e a que a agência Lusa teve acesso.

A central sindical lembra no documento que o Governo justifica as alterações à legislação laboral com a necessidade de aumentar a produtividade e a competitividade da economia nacional e a criação de emprego.

Mas para a CGTP as alterações propostas relativas à organização do tempo de trabalho "terão como resultado um aumento efetivo do tempo de trabalho, bem como a redução do valor da remuneração/hora, e podem mesmo destruir empregos pois o empregador dispõe de um maior número de horas efetuadas por trabalhador".

"Se a duração do trabalho fosse o determinante da competitividade, o país seria altamente competitivo. Em Portugal, cada trabalhador efetua em cada ano cerca de 48 horas a mais que a média dos trabalhadores da União Europeia e cerca de 76 horas a mais que na Alemanha", diz a central sindical.

Segundo a Inter, que cita a classificação do Fórum Económico Mundial e dados da Fundação Dublin, os países europeus mais competitivos (Suécia, Finlândia e Alemanha) têm durações de trabalho mais baixas que Portugal.

Portugal tem uma média de 1.734 horas de trabalho por trabalhador enquanto a Alemanha, por exemplo, tem uma média anual de 1.659 horas de trabalho por pessoa.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG