Cartas de conforto do BES à Venezuela foram imprudência

A ex-diretora do BES e ex-secretária de Estado Rita Barosa afirma que as cartas de conforto passadas por Ricardo Salgado a dois investidores venezuelanos no verão de 2014 foram "uma imprudência", ideia transmitida ao antigo presidente do BES.

"Manifestei que as cartas seriam uma imprudência, não fazia sentido o banco assinar as cartas e isso foi transmitido ao presidente [Salgado]", sublinhou Barosa, que está a ser ouvida esta tarde na comissão de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES).

O ex-administrador do BES Rui Silveira havia assegurado no final de dezembro no parlamento que os administradores do banco não conheciam as cartas de conforto passadas por Ricardo Salgado a dois investidores institucionais venezuelanos, no valor de 267,2 milhões de euros.

Segundo o mesmo responsável, as cartas de conforto endereçadas ao Banco de Desarrollo Economico y Social Venezuela e ao Fondo de Desarrollo Nacional Fonden "foram assinadas à revelia dos restantes membros da administração".

Apesar de serem datadas de 09 de junho de 2014, e assinadas quer por Ricardo Salgado, antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES), quer por José Manuel Espírito Santo - que já disse na comissão de inquérito parlamentar que foi Salgado que lhe pediu para assinar as cartas, garantindo que não tinha conhecimento do seu conteúdo - Rui Silveira assegurou que a comissão executiva do BES só teve conhecimento da existência destas cartas a 15 de julho.

As cartas acabariam por contribuir para os prejuízos históricos do BES nos primeiros seis meses de 2014.

A comissão de inquérito arrancou a 17 de novembro passado e tem um prazo total de 120 dias, que pode eventualmente ser alargado.

Os trabalhos dos parlamentares têm por intuito "apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos, e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades".

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG