Cameron ameaça vetar orçamento e recusa receber Nobel

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, declarou-se hoje pronto a vetar o projeto de orçamento plurianual para a União Europeia, para o período de 2014-2020, por considerar que este contém aumentos da despesa que são "inaceitáveis".Esta não é, porém, a primeira vez que o chefe do Governo britânico se manifesta contra o orçamento comunitário.

Questionado no final do Conselho Europeu sobre se vai mesmo vetar o projeto para as perspectivas financeiras da UE, Cameron afirmou: "A resposta é sim". E acrescentou: "Não podemos estar sempre a acrescentar despesas a mais despesas". "Não será aceitável ter um forte aumento da despesa quando os orçamentos" nacionais "sofrem cortes", acrescentou, citado pela AFP.

Na mesma ocasião, Cameron aproveitou para esclarecer que não irá a Oslo, na Noruega, com os restantes líderes europeus receber o Nobel da Paz, que este ano foi para a União Europeia. Ontem, o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, convidara todos os líderes dos 27 a irem aceitar o galardão.

"Pessoalmente, eu não irei... Já haverá lá gente suficiente para receber o prémio", afirmou o primeiro-ministro britânico, conhecido pelo seu euroceticismo. "Preferia que fossem alunos dos 27 países da UE" a ir a Oslo, acrescentou Cameron, retomando uma ideia que já fora apresentada pela comissária europeia Cecilia Malmström.

A negociação do próximo orçamento, para 2014-2020, parece estar bloqueada por causa das divergências entre os que são a favor e os que são contra uma redução do orçamento comunitário, reduzindo, assim, as hipóteses de sucesso da cimeira europeia de 22 e 23 novembro.

Neste momento, existem dois campos opostos: o dos países que são contribuintes líquidos para o orçamento da UE, Alemanha, França, Reino Unido, Suécia, Finlândia, Áustria e Holanda, quer uma redução, enquanto que os países mais pobres que beneficiam dos fundos estruturais estão contra essa mesma redução.

O orçamento comunitário é o principal mecanismo de redistribuição de dinheiro no seio da UE. As negociações destes quadros plurianuais, conhecidos como perspectivas financeiras, sempre estiveram envoltas em polémicas, como a do chamado "cheque britânico" versus fundos para a PAC. As diferenças agravam-se agora com a grave crise económica e financeira vivida na UE, especialmente na Zona Euro (da qual o Reino Unido não faz parte).

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