Brasil em "guerra comercial" com os Estados Unidos?

O Brasil decidiu aumentar a taxa de importação de cerca de 100 produtos norte-americanos, uma decisão de retaliação face aos subsídios ilegais pagos pelos EUA à produção local de algodão e que o 'Financial Times' sugere poder tornar-se numa “guerra comercial”.

A Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão responsável pelo sector no Brasil, divulgou ontem uma lista de cerca de 100 produtos que terão sobretaxas de importação dos Estados Unidos, que variam de 12% a 100% durante um período de um ano.

A cobrança das sobretaxas começará dentro de 30 dias, período durante o qual o Governo dos EUA poderá abrir negociações com o Brasil para evitar a retaliação.

O objectivo do Governo brasileiro, segundo declarações recentes do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, é convencer os EUA a cancelar o pagamento de subsídios aos produtores de algodão.  

A lista inclui frutas, sumos, produtos de higiene e maquilhagem, plástico, algodão preparado, equipamentos industriais, aparelhos de som, automóveis, óculos e escovas de dente, entre outros.

Foram escolhidos produtos que não afectam o sector produtivo brasileiro e que não criam problemas para o abastecimento do mercado interno, salientaram as autoridades do sector.

Subsídios a produtores brasileiros levaram OMC a autorizar sanções

Em Agosto de 2009, a Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou o Brasil a aplicar sanções aos EUA até ao limite de 830 milhões de dólares (617 milhões de euros) por causa da concessão de subsídios aos produtores norte-americanos de algodão.

Em Novembro, o Governo brasileiro iniciou as discussões para definição da lista de produtos a serem retaliados, que foi agora divulgada.

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