BES: Nenhum político "levou um tostão da ESCOM" com submarinos

Luís Horta e Costa assegurou no parlamento que "não houve luvas".

O administrador da ESCOM Luís Horta e Costa assegurou hoje no parlamento que nenhum político "levou um tostão da ESCOM", afirmando que "não houve luvas", mas pagamento por um serviço contratualizado no caso dos submarinos.

Em resposta a questões sobre o negócio dos submarinos colocadas pelo deputado comunista Miguel Tiago na comissão parlamentar de inquérito sobre a gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), Luís Horta e Costa afirmou que nenhum político envolvido com processo de aquisição de material militar "levou um tostão da ESCOM" ou "serviu de intermediário para pagar fosse o que fosse".

O administrador da ESCOM recusou ainda que tenham existido 'luvas', mas sim "um pagamento pela prestação de um serviço que tinha sido contratado antes", sem especificar a que pagamento e serviço em concreto no negócio dos submarinos se estava a referir.

A compensação extraordinária paga a título do contrato de venda de submarinos ao Estado, e que foi negociado pela ESCOM, empresa do GES que geria os ativos não financeiros em Angola, está a ser um dos temas em destaque na audição de Luís Horta e Costa.

O Ministério Público concluiu que a aquisição por Portugal de dois submarinos alemães disponibilizou aos arguidos e a membros do GES 27 milhões de euros, mas sem obter provas sobre os fluxos financeiros, acabou por arquivar o caso, no final de 2014.

O contrato da compra dos dois submarinos por mil milhões ocorreu em 2004, quando o primeiro-ministro era Durão Barroso e ministro da Defesa era Paulo Portas.

Na nota de quatro páginas sobre o arquivamento do inquérito, divulgada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) divulgada em meados de dezembro passado, são feitas ainda referências às condenações nos tribunais germânicos, tendo os investigadores portugueses lamentado que "as autoridades judiciárias alemãs nunca tenham facultado a documentação" que lhes foi pedida e que "era indispensável à reconstituição dos circuitos financeiros dos eventuais pagamentos de 'luvas'".

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