BdP explica queda de depósitos com "outras aplicações"

O Banco de Portugal (BdP) disse hoje que a queda nos depósitos verificada em setembro não se deve a uma diminuição das poupanças das famílias, mas a uma reorientação para outras aplicações financeiras, sobretudo obrigações.

De acordo com os dados hoje divulgados pelo BdP, no Boletim Estatístico, os depósitos dos particulares nos bancos caíram em setembro, pelo segundo mês consecutivo, para 130.504 milhões de euros, menos 893 milhões de euros do que em agosto.

Num comunicado divulgado esta noite, o BdP considera que esta evolução dos depósitos "não deverá ser interpretada como a existência de um fenómeno de mobilização generalizada de ativos por parte dos particulares", já que há outras formas de aplicação das poupanças, como fundos de investimento, obrigações (títulos de dívida), ações, certificados de aforro ou do tesouro.

"Neste enquadramento, ao analisar a evolução dos depósitos dos particulares num dado período será conveniente tentar observar também a evolução ocorrida nas aplicações financeiras alternativas aos depósitos bancários", lê-se na nota do supervisor bancário.

O Banco de Portugal exemplifica com o que aconteceu em 2011, quando os depósitos das famílias aumentaram 11.600 milhões de euros.

No entanto, diz, é necessário ter em conta que no mesmo período "os particulares realizaram fortes desinvestimentos em aplicações alternativas a depósitos", dando como exemplo os 3.163 milhões de euros returados de ações e outras participações (como fundos de investimento), 6.006 milhões de aplicações em seguros e fundos de pensões e 3.000 milhões de euros de certificados de aforro e do tesouro.

A conclusão, refere, é que o ano passado "o comportamento de poupança dos particulares (...) foi a de reforço significativo das suas poupanças em depósitos à custa de um grande desinvestimento em produtos financeiros alternativos".

Uma análise que, diz o BdP, também pode ser feita para 2012.

Este ano, até setembro, o valor investido em depósitos caiu 94 milhões de euros, numa evolução praticamente "nula", ao mesmo tempo que os investimentos noutros produtos de poupança aumentaram, sobretudo em obrigações (títulos de dívida).

"Combinando a evolução dos depósitos (incluindo os depósitos no exterior) com as aplicações alternativas, chega-se a uma estimativa que aponta para uma variação positiva bastante significativa das aplicações financeiras dos particulares na ordem (enquanto analisando apenas os depósitos junto do sistema financeiro residente se chegava a uma redução a rondar os 100 milhões de euros)", escreve o Banco de Portugal.

Especificamente quanto a setembro, o Banco de Portugal justifica a diminuição das aplicações financeiras com o "padrão sazonal das despesas das famílias", caso de férias e despesas escolares.

Essa redução, que foi "particularmente visível em termos de variação negativa dos depósitos a prazo", tem a ver com a decisão dos particulares de transferirem os "montantes que tinham aplicado naquele tipo de depósitos para aplicações noutros ativos financeiros, em especial, em obrigações", sustenta.

O Banco de Portugal conclui a nota enviada às redações a afirmar que o valor total das aplicações financeiras dos portugueses está hoje "muito em linha" com o observado há um ano, havendo apenas uma reorientação diferente destas: "A comparação entre a evolução dos depósitos dos particulares em setembro de 2011 e de 2012 encontra-se, assim, muito influenciada pelas preferências reveladas entre as aplicações em depósitos e em outros ativos financeiros".

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