Banco de Portugal contratou por ajuste direto assessor para venda do Novo Banco

Além do BPN Paribas, BdP requisitou em outubro serviços da empresa de um antigo diretor do UBS. No banco suíço trabalhou também António Varela, atual vice-governador do Banco de Portugal.

O BNP Paribas foi o assessor financeiro escolhido pelo Banco de Portugal em julho de 2014, no auge da crise do Banco Espírito Santo, para prestar serviços de assessoria no "projeto Hermes" - nome interno que o BdP deu à resolução do BES e venda do Novo Banco.

O BNP Paribas foi contratado com uma remuneração mensal fixa de 250 mil euros, durante dois anos, e um prémio, em caso de sucesso, de 10 milhões. O contrato foi celebrado a 7 de abril de 2015, mas não foi o único. Na mesma data, o BdP formalizou o vínculo com a TC Capital, uma "boutique financeira" com sede em Londres. Um contrato em ajuste direto, por dez meses de prestação de serviços, ainda que o trabalho, conta hoje a TSF, tenha começado já em outubro de 2014. Aos 15 milhões de euros que o BdP terá de pagar ao BNP Paribas, somam-se assim 800 mil euros, já que o contrato com a TC Capital prevê uma remuneração mensal fixa de 30 mil euros e um prémio de sucesso de 500 mil.

A TC Capital é propriedade de Phillipe Sacerdot, antigo diretor-adjunto para a área da banca de investimento no UBS, onde se cruzou com António Varela, antigo representante do banco suíço em Portugal. Varela é vice-governador do BdP desde setembro do ano passado. Em outubro, diz a TSF, a empresa de Phillipe Sacerdot começou a assessorar a venda do Novo Banco, apesar de o contrato só ter sido formalizado em abril deste ano, e o documento foi assinado pelos vice-governadores António Varela e José Ramalho.

A TSF questionou o BdP sobre o novo assessor financeiro no processo de venda do Novo Banco, tendo obtido confirmação do gabinete do governador Carlos Costa: "além do BNP Paribas, o Banco de Portugal, enquanto Autoridade de Resolução, contratou a TC Capital como assessora financeira do processo de venda do Novo Banco".

A rádio cita mesmo fontes ligadas ao processo que estranham a escolha de uma "boutique financeira unipessoal sem grande histórico" neste tipo de operação, assim como a contratação por ajuste direto numa altura - outubro do ano passado - em que já não existia qualquer urgência, já que a crise do BES rebentou em julho - altura em que foi solicitada a prestação de serviços do BNP Paribas. Também a equipa técnica que acompanha a venda do Novo Banco manifestou incómodo com esta contratação, garante a TSF.

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