Arménio Carlos quer renegociação da dívida portuguesa

O secretário-geral da CGTP defendeu hoje a necessidade de Portugal renegociar a dívida e alertou que os últimos resultados eleitorais na Grécia foram um "cartão vermelho" aos governos e à União Europeia, por seguirem políticas de austeridade.

Arménio Carlos falava aos jornalistas no final de uma reunião em Lisboa com a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, em que pediu maior celeridade no funcionamento dos tribunais de Trabalho e acesso mais fácil dos cidadãos à justiça, tendo em conta o problema das custas judiciais.

Questionado sobre a "viragem à esquerda" nas eleições na Grécia e em França, o dirigente da CGTP disse tratar-se de uma "manifestação inequívoca de protesto" contra a austeridade e um "cartão vermelho" aos governos e à União Europeia pela política que tem sido desenvolvida e que é contrária ao crescimento económico.

Arménio Carlos disse ainda que o escrutínio popular na Grécia e França é também um "sinal" da "exigência de uma alternativa" que não se faz só com a adenda ao tratado orçamental, observando que o tratado orçamental é a "antítese" do desenvolvimento e do emprego.

Na opinião do secretário-geral da CGTP, é preciso promover o crescimento económico, mas para isso é preciso "alterar as regras do jogo" relativamente ao défice, sendo imperioso "prolongar o período para a redução do défice", propondo que em vez de ser 3% em 2013, o possa ser em 2016 ou 2017, dando margem ao Governo para fazer investimento público e dinamizar a economia.

"É preciso renegociar a dívida", enfatizou Arménio Carlos, vincando que "objetivamente" Portugal "não tem condições" para cumprir o calendário traçado dado o curto espaço de tempo para o fazer.

Frisou a propósito que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, já reconheceu que em 2013 Portugal vai pagar mais em juros da dívida do que em gastos com Educação, Saúde e Segurança Social, exemplo que reflete que o país se está a "afundar".

"Se não aprendemos até agora, se calhar o exemplo da Grécia demonstra que temos que aprender rapidamente", acentuou, advertindo que a política de recessão e austeridade está a matar a "esperança e o futuro", com a classe média a cair na pobreza, os pobres a cair na miséria e os miseráveis a sair das estatísticas".

Questionado sobre se estão previstas mais greves, Arménio Carlos respondeu que haverá "mais luta", dando exemplos concretos da Carris, Metropolitano e CP, e lembrando que o Conselho nacional da CGTP reúne-se quarta-feira para discutir formas de protesto a encetar nos próximos tempos.

"Uma coisa garantimos: Não vamos baixar os braços. Estamos a ser vítimas de uma política (...) que elegeu os trabalhadores como inimigos. Não vamos aceitar", concluiu.

Exclusivos

Premium

Contramão na autoestrada

Concessionárias querem mais formação para condutores idosos

Os episódios de condução em sentido contrário nas autoestradas são uma realidade recorrente e preocupante. A maioria envolve pessoas idosas. O tema é sensível. Soluções mais radicais, como uma idade para deixar de conduzir, avaliação médica em centros específicos, não são consensuais. As concessionárias das autoestradas defendem "mais formação" para os condutores acima dos 70 anos.