Analistas consideram o valor da oferta baixo

O valor da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo grupo José de Mello, juntamente com a Arcus, sobre a Brisa, é "baixo" e tem margem para negociação, defenderam analistas ouvidos pela Lusa.

"O valor é relativamente baixo em relação a outras OPA e, por isso, penso que vai ser objeto de discussão. Nos próximos dias haverá com certeza uma revisão do preço", defendeu José Novo, trader da Orey iTrade, comentando o preço da oferta, de 2,66 euros por ação, que corresponde a um prémio de 8,64 por cento face à cotação média ponderada dos últimos seis meses e de 13,38 por cento face à atual cotação da ação.

Em declarações à Lusa, José Novo afirmou que "sempre que existe uma OPA existe negociação", considerando que a espanhola Abertis, que é a terceira maior acionista da Brisa, "terá toda a vantagem em alienar [a participação de 15,01 por cento do capital], mas vai querer fazê-lo pelo melhor preço".

Para Rui Bárbara, gestor de ativos do Banco Carregosa, "pelo preço oferecido não parece que queiram comprar", considerando que "as aquisições costumam ter prémios mais elevados".

"O grupo José de Mello tem um montante de dívida razoavelmente elevado e tem utilizado os dividendos generosos da Brisa para fazer face aos custos da dívida. Faz sentido quererem reforçar, porque assim têm acesso direto ao 'cash' já que mais de metade vai para os outros acionistas", defendeu Rui Bárbara.

O gestor de ativos do Banco Carregosa realçou à Lusa que "o negócio da Brisa tem estado sob alguma pressão por causa da redução do volume de tráfego, decorrente do atual contexto económico", sublinhando ser uma empresa muito dependente do mercado nacional.

Mas José Novo lembra que "se a operação for efetuada até 23 de abril, estão em causa os dividendos de 31 cêntimos por ação, um valor que é sempre positivo".

O trader da Orey reconheceu que "a Brisa tem registado uma performance em bolsa má, refletindo a queda no volume de negócio e de tráfego, que poderão ter um forte impacto nos lucros do próximo ano", sublinhando que "Só faz sentido se for um investimento a longo prazo, porque não vai ser no curto prazo que as condições vão melhorar".

José Novo antecipa uma valorização dos títulos da Brisa nas próximas sessões, resultado de "muita especulação".

O presidente do grupo José de Mello afirmou que "não há qualquer margem" para subir o valor da (OPA) lançada na quinta-feira, juntamente com a Arcus, sobre a Brisa.

"Consideramos que o preço reflete o valor da empresa e, portanto, não há qualquer margem para subir a oferta. Não se justifica qualquer alteração", afirmou Vasco de Mello em conferência de imprensa.

O grupo José de Mello e a Arcus, que detêm uma posição que, em conjunto, representa 53,7 por cento dos direitos de voto na Brisa, anunciaram hoje uma OPA sobre a totalidade do capital social da concessionária, pelo preço de 2,66 euros por ação, que representa um prémio de 13,38 por cento face ao fecho de mercado de quinta-feira.