Americanos compram Vilamoura por 200 milhões de euros

Empresa espanhola que detinha e geria o resort foi comprada pelos fundos Lone Star a preço de saldo. Há cinco anos valia o triplo.

A Lusort, empresa espanhola que detinha os ativos imobiliários de Vilamoura - os já existentes e os terrenos ainda por construir - e também a concessão da marina de Vilamoura, foi finalmente vendida, mas a preço de saldo.

Segundo apurou o DN/Dinheiro Vivo, os norte-americanos Lone Star pagaram ao Catalunya Banc, que detinha a Lusort, pouco mais de 200 milhões de euros, ou seja, três vezes menos do que teriam pago há cinco anos, antes do início da crise económica e do pedido de ajuda à troika. E também menos do que os 360 milhões que os espanhóis deram ao anterior proprietário, o empresário André Jordan.

A justificar este valor tão baixo está o facto de a maior parte dos ativos que foram vendidos não estar agora a dar rendimento. Os empreendimentos residenciais e comerciais existentes - e que são a Vilamoura de hoje, ocupando quase dois mil hectares - foram sendo vendidos ao longo dos anos e, por isso, só mesmo a concessão da marina é que dá dinheiro atualmente. O resto são mais dois mil hectares - o equivalente a dois mil campos de futebol - de terrenos vazios junto à marina e à praia da Falésia.

"Vilamoura tinha de ser barato. Nos dois mil hectares disponíveis, há 700 mil metros quadrados onde se pode construir. É o equivalente a um terço de todos os edifícios construídos no Parque das Nações e por isso requer muito investimento da parte dos novos proprietários", disse ao DN/Dinheiro Vivo uma fonte do mercado.

Mas é também por existir todo este potencial de construção que o valor investido pelos norte-americanos Lone Star é considerado baixo. Nos 700 mil metros quadrados está previsto, há já mais de dez anos, nascer a Cidade Lacustre, um resort de luxo construído "sobre lagos e canais navegáveis", pode ler-se no site da Lusort.

A ideia é fazer três lagos artificiais salgados ao lado da marina, construindo as casas mesmo sobre a água para que só sejam acessíveis de barco. Haverá ainda passeios pedonais a cruzar os lagos e a ligar as zonas de habitação, de comércio e de lazer, mas a ideia é fazer uma cidade sobre a água.

Além disso, afirma um agente imobiliário que não quis ser identificado, "Vilamoura foi sempre uma zona que fugiu à crise, mesmo sem promoção, porque é já muito conhecida. Com uma boa promoção, pode vender muito."

O maior negócio em Portugal

O ano ainda agora começou, mas a julgar pelo montante envolvido - mesmo a preço de saldo - a venda de parte de Vilamoura aos norte-americanos da Lone Star já está a bater recordes. De acordo com um comunicado da consultora imobiliária CBRE, que mediou a operação, "a transação, executada no dia 26 de março, constitui a maior operação no setor do turismo em Portugal dos últimos dez anos".

Foi ainda a maior operação de venda de terrenos no país nos últimos sete anos e o maior negócio de investimento nos últimos oito. Este último ex aequo com um negócio do ano passado, mais precisamente a venda de um conjunto de armazéns do grupo Espírito Santo à norte-americana Blackstone e também por pouco mais de 200 milhões de euros.

A Blackstone não estava na corrida a estes ativos em Vilamoura, mas, além de uma empresa de promoção chinesa que acabou por desistir, havia outras gestoras de fundos norte-americanas interessadas na aquisição do resort, entre elas a Cerebrus.

Aliás, os fundos norte-americanos têm estado muito ativos em Portugal. No ano passado foram os maiores compradores de imóveis, investindo 330 milhões, num total de 700 milhões de euros. E neste ano, além do negócio da Lone Star, a Blackstone promete voltar à carga, dado que está prestes a comprar o Fórum Almada e o Fórum Montijo aos alemães do Commerzbank.

O que é a Lone Star?

A norte-americana Lone Star é uma gestora de fundos de vários tipos, alguns deles imobiliários, que foi fundada no Texas em 1995. Desde essa data até hoje já soma 14 fundos com ativos avaliados em 54 mil milhões de dólares.

O investimento em Vilamoura foi realizado por um desses fundos - o Lone Star Real Estate Fund III - que foi criado em outubro de 2013 com sete mil milhões de dólares sob gestão. A maior parte dos ativos eram de imobiliário comercial, por exemplo edifícios de escritórios ou armazéns, localizados nas Américas, na Europa Ocidental e também no Japão. Agora têm estado a apostar noutro tipo de ativos, como o turismo, e estão a olhar mais para países como Portugal ou Espanha, que têm à venda muito bons ativos a preços baixos.

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