Agricultores temem cortes graves de fundos comunitários

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) alertou hoje que "é muito grave para o setor" a confirmação de um corte de mil milhões de euros nos fundos comunitários a partir de 2014.

"Se o deputado Capoulas Santos diz que são menos mil milhões de euros, estaríamos a falar de sete mil milhões de euros de fundos comunitários disponíveis, portanto é um corte muito significativo, se pensarmos que são para sete anos", afirmou à agência Lusa o presidente da CAP.

João Machado alertou que a redução das verbas comunitárias vai "penalizar um setor da economia portuguesa, que neste momento é o único que está a crescer, cujas exportações cresceram quase o dobro em comparação com as restantes exportações portuguesas, que está a criar mais valor e que está a criar postos de trabalho".

O dirigente defendeu também que a proposta da nova Política Agrícola Comum (PAC) "não é justa" porque, apesar de propor a convergência na atribuição das verbas, continua a criar divergências.

"Propõe-se que haja uma convergência das ajudas dentro do próprio país, mas há países dentro da União Europeia que recebem muito mais com agricultores que recebem muito mais do que os portugueses, logo não há convergência", explicou.

Dentro de cada estado-membro, alertou João Machado, a atribuição de igual valor de ajudas a cada agricultores e a cada setor de atividade, "pode provocar o abandono da atividade e levar a que se deixe de produzir certas culturas, como o tomate ou o arroz".

No âmbito das negociações com o Ministério da Agricultura, a CAP vai exigir que a legislação a criar "acautele que não haja abandonos, mas antes mais produção para equilibrar a balança".

O eurodeputado socialista Capoulas Santos estimou hoje que Portugal possa ter perdido mil milhões de euros nas verbas para a agricultura acordadas no âmbito do próximo orçamento comunitário, cerca do dobro do valor anunciado pelo primeiro-ministro.

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