Aeroporto da Portela esgotado em 5 anos

O bastonário da Ordem dos Engenheiros estima que o aeroporto da Portela, em Lisboa, esgote a sua capacidade dentro de cinco anos, o tempo suficiente para a construção da primeira fase da infraestrutura aérea em Alcochete.

Em declarações à Lusa, Carlos Matias Ramos, lembrou que no ano passado se registaram 15 milhões de passageiros e, com obras finalizadas no aeroporto internacional de Lisboa em 2013, devem registar-se 17 a 18 milhões de passageiros por ano.

Recorrendo a dados de instituições do setor aéreo e que a "realidade tem vindo a confirmar", o responsável afirmou que a capacidade máxima da Portela será atingida num limite de cinco anos.

"A situação é real. A crise não vai alterar a situação", indicou o responsável, mostrando um documento da evolução do número de passageiros que "não se afastou significativamente da realidade", mesmo com a crise 'subprime' (do crédito hipotecário) de 2008 e a estagnação de 2001/02.

O bastonário lembrou as limitações de espaço do atual aeroporto, que vive uma "crónica de uma morte anunciada".

Matias Ramos lembrou que as obras de "remendo" vão permitir em hora de ponta 40 movimentos/hora, o que corresponde a 17 a 18 milhões de passageiros por ano.

Com um investimento de 380 milhões de euros, estas obras devem estar concluídas entre o final deste ano e o início de 2013.

Matias Ramos explicou que o melhor plano é avançar com a primeira fase do aeroporto no campo de tiro de Alcochete, em que a pista é definitiva, mas as infraestruturas são mínimas, tendo, porém, "um sentido evolutivo", ou seja, de crescimento.

Com esta primeira fase, que pode concretizar-se em cinco anos, seria possível a estrutura ter um movimento de cinco milhões de passageiros em 2020, que, segundo o bastonário, deveriam ser de voos 'low cost'.

Com as acessibilidades existentes, a "elevada flexibilidade" do projeto e os 230 milhões de euros necessários para a construção da primeira fase, a solução de Alcochete "garante a sustentabilidade do setor aeroportuário, face à procura em Lisboa e situação financeira do país, mantendo o 'hub'" (centro de ligação de voos).

"O país não está a encarar de forma estratégica a relevância geográfica em termos de conetividade", notou o responsável, defendendo que com infraestruturas é mais fácil estimular investimentos externos.

Matias Ramos não deixou de questionar a relevância do investimento no aeroporto de Beja, que regista 80 movimentos por ano.

Como aeroporto complementar à Portela, têm sido ainda apresentadas as pistas de Alverca, Montijo e Sintra.

Entretanto, o Ministério da Economia anunciou hoje que o grupo de trabalho que está a avaliar a viabilidade de um aeroporto complementar à Portela pediu um adiamento do prazo de entrega das suas conclusões.

Fonte da tutela não indicou um novo prazo para a entrega do relatório, que deveria ter chegado até hoje ao Ministério da Economia.

Inicialmente, estava previsto que o documento com as conclusões fosse entregue até ao fim de abril.

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