Acordo tripartido "é um retrocesso ao 25 de abril"

O secretário-geral da CGTP disse hoje em entrevista à Lusa, na semana em que abanadona a Inter, que o acordo assinado em sede de concertação social é um "recuo nos direitos dos trabalhadores" e um "retrocesso ao 25 de Abril".

Carvalho da Silva condenou o facto de as partes envolvidas na discussão em prol de um acordo tripartido terem descurado os direitos dos trabalhadores, uma "conquista" em Portugal na revolução de abril.

"O acordo é, indiscutivelmente, um recuo nas condições dos trabalhadores em relação à fragilização clara da segurança social, um recuo claro e violento dos direitos que os trabalhadores têm nas condições de trabalho", afirmou o secretário-geral da CGTP.

Carvalho da Silva argumenta que o ponto de partida para este acordo -- que a CGTP não assinou -- "não parte da realidade que existe no trabalho".

"A discussão não partiu daquilo que são os direitos dos trabalhadores nas férias, nos feriados, na indemnização por despedimento, nas condições de pagamento do trabalho extraordinário, na existência de uma realidade objetiva na contratação coletiva, não parte daí", lamenta o dirigente, que no próximo fim-de-semana vai abandonar o cargo de liderança que já ocupa há 25 anos.

Para o sindicalista, o compromisso para o crescimento, competitividade e emprego, assinado pela UGT, pelas confederações patronais e pelo Governo, há uma semana, "parte daquilo a que chamam um interesse nacional plasmado na 'troika', o que é uma subversão".

O dirigente aponta o dedo ao Governo e não poupa críticas ao Executivo, que acusa de "atuar no país como se [o país] estivesse ocupado, como se o interesse nacional não fossem as condições concretas dos portugueses, mas qualquer coisa imposto de fora".

"E isto é um desastre", exclama o dirigente, alertando para a destruição do Estado Social como o conhecemos, devido "a estas políticas".

"Perante isto, o que é que há a dizer, demos algum exemplo ao mundo?", interroga Carvalho da Silva, respondendo: "É que esta política é desastrosa e a afirmação do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, é um disparate absoluto".

"É triste que tenhamos uma governação desta qualidade", desabafa Carvalho da Silva, que ironiza: "como se os agiotas e os especuladores financeiros dissessem 'sim senhor, agora têm um nível muito bom de exploração de trabalho e vamos ficar sossegados'".

Carvalho da Silva, que é militante do Partido Comunista Português, será substituído no cargo de secretário-geral da CGTP durante o congresso da intersindical, que terá lugar sexta-feira e sábado em Lisboa.

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