Vasco Lourenço: "Há uma prática anti-25 de Abril por parte do poder"

Em entrevista, Vasco Lourenço afirma que não foi o 25 de Abril que falhou, mas sim os partidos, alerta para uma possível "explosão popular e não fecha a porta a uma candidatura à Presidência da República.

O "Jornal i" escreve hoje que "Vasco Lourenço tinha 31 anos quando fez o 25 de Abril. Quarenta anos depois, o homem que foi decisivo na mudança de regime dedica muito do seu tempo à Associação 25 de Abril, mas não afasta a hipótese de vir a envolver-se diretamente na política com uma candidatura à Presidência da República".

Para Vasco Lourenço, ao fim de quarenta anos não foi o 25 de Abril que falhou, "falhou a organização dos portugueses, principalmente os partidos políticos. Falharam rotundamente. Os partidos acabaram por se transformar em agências de emprego e agências de conquista do poder pelo poder", diz, adiantando que os partidos não estão dispostos a mudar "porque têm interesses. Fala-se no arco da governação e eu falo no arco do sistema. Todos eles estão interessados em manter o sistema porque lhes convém e por isso é difícil dar a volta a isto".

Vasco Lourenço considera que o 25 de Abril "continua vivo" mas que "os seus ideiais estão a ser atacados, e de que maneira, pelo poder". Segundo Vasco Lourenço, "está a haver uma prática anti-25 de Abril por parte do poder". e dá um exemplo: "Eles não tocam nas PPP. Não tocam nos privilégios da EDP. Aí foi um compromisso assumido. Então e o compromisso com os cidadãos que pagam as reformas com o seu trabalho?", pergunta.

Para Vasco Lourenço, "aparentemente, as pessoas estão a aguentar, mas estão ansiosas de que surja qualquer coisa que altere esta situação atual. Têm esperança de que alguêm faça algo", adiantando que "a convicção que eu tenho é que o povo aguenta, aguenta, até rebentar. E nós quando rebentamos não somos nada meigos".

Em relação à participação na via política ativa, Vasco Lourenço afirma que "espero resistir a uma candidatura à Presidência da República, mas não digo desta água não beberei". Nas últimas presidenciais foi pressionado para se candidatar mas, diz, "resisiti a essa hipótese". Diz que é uma situação contraditória. "Talvez me falte um bocadinhod e coragem, Eu sou uma pessoa com coragem, mas falta-me qualquer coisa, é uma situação complicada e contraditória, porque eu olho para o que lá está agora e não tenho dúvida nenhuma de que faria melhor do que ele. Mas até agora tenho resistido".

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