Portugal diz adeus à troika, e agora?

No sábado há uma contagem decrescente que chega ao fim e outra que se inicia. Dia 17 assinala-se o fim formal da assistência externa, mas é também o início de uma nova fase desconhecida. O crescimento económico será decisivo.

O "Jornal de Negócios" escreve hoje que "Não é que o Governo não tenha resultados para apresentar sobre os últimos três anos: a economia voltou a crescer e o défice orçamental passou de mais de 9% do PIB para menos de 5%; o défice externo, que antes rondava os 10% do PIB em 2010, virou excedente pela primeira vez em décadas; os juros da dívida caíram para mínimos pré-crise; o sistema bancário está mais robusto e capitalizado; e um vasto leque de reformas - arrendamento, mercado de trabalho, justiça, entre outras - chegaram ao terreno, com a promessa de agilizar a economia. O problema é que estes desenvolvimentos estão longe de tirar Portugal da zona de perigo. O mesmo programa de ajustamento contribuiu para uma recessão maior que o esperado e deixa o País com um "stock" de dívida pública que chega a 130% do PIB, um dos valores mais elevados do Mundo; o endividamento das famílias e empresas de 280% do PIB promete entorpecer o sistema financeiro por muitos anos; e os quase 800 mil desempregados - dos quais 40% sem emprego há mais de dois anos - ameaçam criar uma debilidade estrutural na economia, a mesma que, nos últimos três anos, empurrou para o estrangeiro 200 mil a 300 mil pessoas".

Segundo o jornal, "baixar o desemprego, reduzir a dívida e crescer com base nas exportações são os objetivos mais urgentes para o pós-troika que estão identificados e são até partilhados por economistas com prespetivas diferentes sobre a crise e os últimos anos. Com um sector privado muito endividado, e um Estado comprometido com uma política de austeridade por vários anos, as respostas para o problema português não são fáceis. E em boa parte dependem da estratégia europeia. Portugal sai de forma limpa do seu programa, mas tem às costas um fardo de dívidas e desemprego que o pode esmagar".

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