O que dizem os jornais das declarações de Cavaco Silva

A imprensa dá hoje conta da surpresa geral perante as declarações do Presidente da República, quando se esperava apenas que desse o seu aval ao novo elenco governativo proposto por Passos Coelho e Paulo Portas.

O "Diário Económico" escreve que Cavaco Silva agravou a crise política. Segundo o jornal, "espantando a classe política, o Presidente da República rejeitou ontem o acordo de Governo proposto por Passos Coelho e Paulo Portas e deixou um ultimato ao PSD, PS e CDS: que assinem "nos próximos dias" um compromisso de salvação nacional. Cavaco rejeitou também a exigência do PS e do Bloco de Esquerda de antecipar eleições para setembro deste ano, acenando com o risco de um segundo resgate, mas impôs desde já um prazo de validade a este Governo: Passos e Portas ficam até 2014, data em que termina o programa de ajustamento, e nessa altura o país vai a eleições".

O "Jornal de Notícias" refere que Cavaco chumba acordo PSD-CDS e quer PS na Solução. Segundo o jornal, "contrariando todos os vaticínios, também avançados pelo JN, o Presidente da República não passou, ontem, um cheque em branco à maioria PSD-CDS para que governe a seu bel-prazer. Pelo contrário. O que resulta da sua comunicação ao país é um regime de "tutela" de Passos Coelho a partir de Belém. Com prazo de validade e "caderno de encargos" definido".

O "Correio da Manhã" adianta que Cavaco exige salvação nacional. Segundo o jornal "o Presidente da República exige a presença do PS num "compromisso de salvação nacional" com o PSD e o CDS até junho de 2014, quando começa o período pós-troika e serão marcadas eleições antecipadas. Numa surpreendente mensagem aos portugueses, Cavaco Silva disse que o Governo está em "plenitude de funções", mas acrescentou de seguida que "chegou a hora da responsabilidade dos agentes políticos". "As decisões que forem tomadas nos próximos dias irão condicionar o futuro dos portugueses durante vários anos". Segundo o Chefe de Estado, a entrada do PS num entendimento com o PSD e o CDS "é a solução que melhor serve quer o interesse nacional, quer o interesse de todos os partidos".

O "Público" escreve que Cavaco Silva impõe solução presidencial. Segundo o jornal, "o Presidente da República surpreendeu o país ao chamar a si a iniciativa de forçar "um compromisso de salvação nacional" com os três partidos que assinaram o Memorando de Entendimento: PS, PSD e CDS. Nesse acordo, Cavaco Silva quer ver bem definido o "calendário mais adequado para a realização de eleições antecipadas" a coincidir com o final do programa de assistência finaceira em junho de 2014. O Presidente deixou claro que o atual Governo se encontra "na plenitude de funções". Ou seja, recusou para já a solução proposta pelo primeiro-ministro e pelo líder do CDS".

O "Jornal de Negócios" adianta que Cavaco rejeita remodelação e reclama acordo com o PS. Segundo o jornal, "esperava-se ontem que o Presidente da República desse o seu aval ao novo elenco governamental proposto por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, depois de passar uma reprimenda aos líderes dos dois partidos da coligação. O que se assistiu, para espanto de quase toda a gente, foi um discurso opaco, onde a pouco e pouco se foi percebendo que Cavaco Silva acabara de rejeitar a solução proposta pelo primeiro-ministro, não quer que este Governo cumpra o mandato até ao fim e reclama um "compromisso de salvação nacional" que inclua os socialistas.

O "jornal i" escreve que Cavaco quer governo de salvação nacional e eleições em 2014. Segundo o jornal, "nem eleições, nem novo governo PSD/CDS. Contra todas as expetativas, Cavaco Silva propôs ontem a formação de um governo de salvação nacional que reúna PSD, CDS e PS. E que garanta o governo do país até junho de 2014 - altura em que termina o programa de ajsutamento e em que se avançaria então para as eleições legislativas. A mensagem presidencial caiu que nem uma bomba nas sedes partidárias. Os partidos, que se preparavam para reagir logo a seguir à declaração de Cavaco Silva, fizeram marcha a trás e atrasaram as declarações".

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