Passos Coelho quis mesmo demitir-se

Depois da declaração de Paulo Portas contra a TSU, Passos Coelho decidiu demitir-se. O receio de Portugal se tornar igual à Grécia com a abertura de uma crise política levou-o a recuar.

O semanário "Sol" escreve que a coligação governamental tremeu como nunca, mas ontem os dois partidos enterraram o machado de guerra. No domingo, após a declaração de Portas, Passos Coelho disse ao seu círculo político mais próximo de que estava a ponderar a demissão, pois entendia que a discordância pública do líder do CDS lhe retirava autoridade perante o País para continuar a liderar as difíceis medidas de ajustamento orçamental e maior austeridade - e que, ao mesmo tempo, o líder do CDS acabara por destruir a coesão política do Governo.

A indignação sentida pelos responsáveis do PSD perante a "declaração de guerra" do CDS obrigou a uma resposta pública imediata e ainda no domingo, em conferência de imprensa, Jorge Moreira da Silva assumiu que "as declarações do líder do CDS não são indiferentes para a coligação e, porventura, para o próprio Governo". E só o facto de o cenário de demissão de Passos Coelho estar ainda, nesse momento, em cima da mesa terá levado a protelar para quarta-feira à noite a resposta final do PSD.

Perante a iminência de uma crise política, sucederam-se os apelos junto de Passos Coelho para evitar esse cenário a todo o custo, sendo o primeiro-ministro confrontado, pelo seu "Núcleo duro", com o risco de a sua demissão transformar Portugal numa nova Grécia. Tornando o País ingovernável e sem uma alternativa política que oferecesse o mínimo de garantias aos nossos financiadores europeus.

Ler mais

Exclusivos