Miguel Pais do Amaral é o administrador das 73 empresas

O presidente não-executivo da Media Capital acumulava no final de 2010 cargos de administração em 73 empresas.

O "Diário Económico" escreve que o presidente não-executivo da Media Capital e da Reditus acumulava, no final de 2010, cargos na administração de 73 empresas. O Relatório Anual do Governo das Sociedades cotadas, divulgado esta terça-feira pela CMVM, indicava apenas que existia um gestor a "colecionar" funções na administração de tantas empresas, mas sem o identificar. Contudo, a análise do jornal aos relatórios das cotadas, referentes a 2010, revela que é Miguel Pais do Amaral o administrador em causa.

O presidente do Conselho de Administração da Reditus, desde março de 2008, acumulava também funções de presidente do grupo editorial Leya, da Quifel Holdings, da Companhia das Quintas e da Partrouge, entre outros. No final de 2010, Pais do Amaral, que também é presidente não-executivo da Media Capital, dona da TVI, era ainda gerente de empresas como a Adega de Pancas e a Biobrax Energias Renováveis Portugal, por exemplo.

Os dados da CMVM mostram ainda que 17 administradores acumulavam lugares de administração em 30 ou mais empresas, no final de 2010, enquanto 55 membros dos orgãos de administração afirmaram desempenhar cargos numa só sociedade. Na Reditus, também o CEO Frederico Moreira Rato aumulava cargos em nove sociedades do grupo, em 2010. Nogueira Leite figurava em 18 sociedades

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.