Ligação Porto e Vigo tem média de 26 clientes por viagem

Serviço criado em 2013, na sequência da última cimeira ibérica acumulou 1,2 milhões de euros de prejuízo em apenas nove meses. A falta de paragens impede a CP e a Renfe de rentabilizarem a ligação.

O "Público" escreve hoje que "entre julho de 2013 e março deste ano, o comboio Celta, que assegura a ligação direta (sem paragens intermédias) entre Porto e Vigo duas vezes por dia, transportou cerca de 28 mil passageiros. Um número que pode parecer elevado, mas que, no mês de maior procura (agosto de 2013), representa apenas uma média de 57 passageiros por comboio. A média destes nove meses é de 26 passageiros por cada viagem. Um valor que é mais adequado para um autocarro do que para um comboio, segundo defendia o Governo em 2011 quando apresentou o Plano Estratégico de Transportes (PET), que preconizava o encerramento de linhas e serviços com procura reduzida".

Segundo o jornal, "nestes nove meses, a taxa de ocupação (cada automotora tem 228 lugares) tem sido de 12%, uma fasquia que também foi utilizada no PET para justificar a redução de serviços de transportes públicos. Será por este motivo que as empresas públicas CP e Renfe recusam divulgar informação sobre os resultados de exploração deste novo serviço, que foi inaugurado em julho de 2013 por decisão conjunta dos governos de Portugal e Espanha, que se entusiasmaram com a criação de um comboio sem paragens entre Porto e Vigo. AS populações e os autarcas protestam por não poderem apanhar o Celta. Afinal, o comboio até pára, diariamente e por alguns minutos, em Viana do Castelo, mas os passageiros não podem entrar ou sair, inibindo assim a CP de obter mais alguma receita".

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