Homem vive há quase três anos sem gastar um cêntimo

Um jovem alemão vive com a sua mulher e filha sem gastar nenhum dinheiro. Dá palestras sobre a 'greve ao dinheiro' e a sustentabilidade por toda a Europa, viajando à boleia.

Raphael Fellmer, de 29 anos, fez 'greve ao dinheiro' em janeiro de 2010 e continua até hoje. Diz que é fácil, tanto é o que a sociedade desperdiça. Já teve que recolher comida em caixotes do lixo mas agora trabalha com uma loja orgânica que lhe dá os alimentos que já não usa, informa o Jornal de Notícias.

Vive com a mulher e a filha bebé num centro de paz, em Berlim. Não pagam renda mas cuidam dos jardins, das limpezas e do trabalho de escritório, organizando seminários e outras atividades. Quando precisam mesmo de alguma coisa vão ao 'eBay' e pedem a quem vende para fazer uma troca.

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Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

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Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

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Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.