"É insultuoso pensar que fui o quarto elemento da troika"

O antigo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, diz que "a punição nunca se aplicou a Portugal" e que foi "um negociador bem-sucedido em nome dos interesses nacionais".

Em entrevista ao "Público", o ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, diz ter sido um negociador bem-sucedido e considera que "as dimensões humanas e sociais do programa de ajustamento foram sempre tidas em conta". Sete meses depois de ter abandonado o Governo, Vítor Gaspar aceita tornar pública a sua visão da crise em Portugal e na Europa. A Europa e o programa de ajustamento foram os temas centrais da entrevista".

"A questão que se coloca a Portugal é saber se temos a vontade política, a capacidade social e cultural para nos afirmarmos como Estado autónomo e desenvolvido numa economia global muito concorrencial"

"Sem um princípio de responsabilização efetiva pela sustentabilidade das finanças públicas em cada Estado-membro, não é possível sustentar a área do Euro"

"Tivemos dez anos para nos ajustarmos. Passámos basicamente esses dez anos em situação de défice excessivo e excesso de despesa finaciada a crédito"

"O primeiro chefe de Gabinete de Obama, Rahm Emanuel, tem uma frase conhecida: "Não podemos permitir que uma boa crise seja desperdiçada". É uma frase ótima. (...) Porque, naturalmente, as mudanças mais profundas são motivadas por crises"

"Com o devido respeito, a questão de me encarar como o quarto elemento da troika é simplesmente insultuosa. Recuso completamente esse papel. O meu papel é o oposto. Tive a honra de representar Portugal nas negociações. A troika estava sentada do outro lado da mesa"

"Julgo ter sido um negociador bem-sucedido em nome dos interesses nacionais, precisamente porque foi possível ajustar duas vezes, e muito consideravelmente, os limites do défice e da dívida sem que tenha havido a menor perturbação nas nossas relações com os credores e com os mercados"

"As dimensões humanas e sociais do programa de ajustamento foram sempre tidas em conta, com ênfase para o fenómeno do desemprego. A minha maior preocupação tem sido o desemprego jovem e o desemprego de longa duração"

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