Cândida Almeida revoltada com sentença do Freeport

A procuradora mantém o silêncio, mas a tensão entre o MP e os juízes é enorme. A sentença do Freeport, que pôs em causa a investigação da equipa de Cândida Almeida, deitou gasolina no fogo.

O semanário "Sol" escreve que o Ministério Público (MP) e os juízes estão em rota de colisão. As críticas que o coletivo que julgou o Freeport fez à forma como os procuradores investigaram o caso - acusando em particular o departamento liderado por Cândida Almeida - caíram que nem uma "bomba" no MP.

Entre os magistrados, o mal-estar está instalado por se considerar que os juízes não só se "intrometeram na função dos procuradores", como decidiram dar "um puxão de orelhas" aos investigadores sem terem competência para isso.

O facto do coletivo do Tribunal do Barreiro ter, a 20 de julho, mandado extrair uma certidão pedindo que voltem a ser investigados indícios de corrupção no Ministério do Ambiente, então liderado por José Sócrates, foi "uma posição política absurda por parte do coletivo", referem fontes do MP, que adiantam que a sentença deixou indignada e revoltada a diretora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, Cândida Almeida, que liderou a investigação do Freeport.

No acórdão, o coletivo do tribunal do Barreiro considera "insustentável manter por mais tempo as suspeitas de crime grave sobre a pessoa que exerceu o cargo de primeiro-ministro de Portugal".

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.