Há cada vez mais eurocéticos em Portugal

L.M.C.

Inquérito mostra que tendência estende-se a toda a Europa, onde 42% considera negativo pertencer à União Europeia.

O "Jornal i" escreve hoje que "os europeus estão em crise ou é a Europa que está em crise? Uma coisa leva a outra e os portugueses, mais do que os outros, são os que melhor servem de exemplo: 90% sentem-se diretamente afetados pela crise económica. É a percentagem mais alta entre os estados europeus incluídos no inquérito internacional "Transatlantic Trends 2013", qu envolve 11 países da União Europeia, além dos Estados Unidos e a Turquia. Mais de metade dos protugueses (55%) desaprova a forma como a Europa tem sido gerida".

O relatório da German Marshall Fund of the United States, apoiada em Portugal pela Fundação Luso-Americana destaca que, desde 2010, mais do que duplicou a percentagem de inquiridos que considera negativo ser membro da União Europeia (de 20% passaram a 42%), registando-se hoje em Portugal, Itália ou Espanha percentagens muito próximas dos "eurocéticos" do Reino Unido, onde quatro em cada dez pessoas querem sair da União Europeia. Ainda assim, 66% mantêm uma opinião favorável ou algo favorável à UE, com a aprovação em Portugal a fixar-se nos 56%, tendo descido 25 pontos percentuais desde 2009".

Segundo o jornal, "uma larga maioria dos países da Europa está cada vez mais descrente nas vantagens do federalismo: 68% dos europeus (67% dos portugueses) estão convencidos de que cada Estado-membro deverá manter a autoridade sobre a política económica e orçamental e apenas 26% (29% em Portugal) admite que essa competência deveria estar na UE. Os portugueses são dos que mais desaprovam a gestão da crise pela chanceler alemã Angela Merkel (65%), enquanto a média europeia de reprovação é de 42%. Os portugueses são aqueles que, depois dos italianos, pensam que o sistema económico é mais injusto e só beneficia alguns (92%). Essa tendência é partilhada pelo resto da Europa, EUA e Turquia. Só 15% dos europeus, 25% dos americanos e 23% dos turcos julgam que o sistema funciona de forma justa para todos".