"Foi um erro entrar na União Monetária e no Euro"

Ex minstro das Finanças de Cavaco Silva afirma que foi um erro entrar no Euro e que Portugal nunca soube resolver o problema do despesismo público.

Em entrevista ao "jornal i", o ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva, Miguel Cadilhe, aponta erros estruturais que levaram à situação atual de crise em Portugal, diz que Portugal não estava preparado para entrar Euro e que o despesismo público não foi controlado com eficácia pelo Estado.

"Em 2005 publiquei o livro "O Sobrepeso do Estado em Portugal". Agora todos sentimos as consequências disto... O título e a capa do livro (a bandeira nacional a escorrer sangue) eram, só por si, avisos como o sino da aldeia que toca a rebate, ninguém podia ficar indiferente. De facto, aconteceu o contrário, o manto da indiferença desceu sobre o livro. Sócrates chegava ao poder e iniciava uma rota, mais uma, de despesismo público"...

"nunca se é bem-vindo quando se aponta o erro antes do tempo, depois todos o apontam"...

Para Miguel Cadilhe, "um erro estrutural, foi a opção política de entrar na união monetária e na moeda única, faz agora vinte anos, com as etapas da chamada convergência nominal e o acordo de câmbios fixos e irrevogáveis entre o Escudo e as outras moedas da união. A moeda do euro não começou há 10 ou 12 anos, como agora muitas vezes se diz, começou há 20, nessas antecâmaras do euro"...

"...o erro histórico, hoje reconhecido mas então era sacrilégio dizê-lo, foi a desproporção e a inadequação entre a moeda única e a nossa estrutura produtiva".

"...Num artigo dos primeiros anos 90, "Escudo Precoce", avisei que com a moeda única, iríamos ter mais défices externos, menos PIB efectivo, menos PIB potencial, menos emprego. Chamaram-me eurocéptico e outros mimos que me colocavam a nadar contra a corrente".

"Não deveríamos ter entrado para o euro, hoje não devemos sair"...

"Um segundo erro estrutural foi a péssima e persistente propensão do Estado para fazer enormes gastos públicos, de duvidosa reprodutividade, completamente fora das actividades ditas transaccionáveis... Por exemplo a Expo 98, os submarinos, os estádios do Euro 2004, etc."

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG