"Se Moniz sair da TVI será escandaloso"

À SIC Notícias, a líder social-democrata diz que não aumenta os impostos e que o Governo tinha de saber do negócio da PT, ao contrário do que José Sócrates afirmou hoje.

A líder do PSD fez ontem a primeira promessa aos portugueses se ganhar as eleições e formar governo: "Não aumentarei os impostos!" Manuela Ferreira Leite já tinha garantido na entrevista à SIC Notícias que nada dirá ao País que não possa cumprir. "É necessário crescer, enriquecer e as empresas desenvolverem-se", justificou a líder laranja.

Ferreira Leite aproveitou para responder às acusações que o primeiro-ministro fez ao Executivo de Durão Barroso, de que fez parte como ministra das Finanças, de que teria herdado um País prisioneiro de um enorme défice público. A líder social-democrata sublinhou que esse problema foi gerado no Governo socialista de António Guterres. E os "sacrifícios" que ela própria pediu aos portugueses para controlar - tendo admitido que não o conseguiu resolver - foram impostos pela União Europeia, que ameaçava cortar os fundos comunitários ao País.

Num ataque constante, embora sem agressividade, ao líder do Governo, Ferreira Leite lembrou a recente entrevista de José Sócrates também à SIC Notícias: "O que me preocupa é como o primeiro- -ministro não pronunciou uma única vez a palavra que define o problema do País: endividamento." E voltou à mesma ideia durante as respostas à jornalista Ana Lourenço: "O primeiro-ministro não sussurrou a palavra endividamento uma única vez."

Manuela Ferreira Leite reiterou que o Governo está a combater a crise de forma errada ao apostar nos grandes investimentos públicos, em particular no projecto de alta velocidade (TGV). "Se o País não estivesse endividado... não sou maluquinha contra os comboios", argumentou. "O TGV não cria emprego, as estradas não criam emprego", garantiu a líder social-democrata, acusando o primeiro-ministro de arrastar Portugal para o "emprobrecimento irremediável" caso persista neste rumo. E remetendo para o apelo público lançado pelos economistas contra as grandes obras, frisou: "Não existe um único economista credível que não partilhe desta opinião. O primeiro-ministro está sozinho."

O rumo que pretende traçar no programa de governo do PSD, e que será divulgado no final de Julho, é o de uma aposta forte no apoio às pequenas e médias empresas e no reforço do apoio social às famílias. Medidas como a recuperação do património e do parque escolar são aquelas que disse geradoras de emprego.

Ferreira Leite criticou ainda o processo de nacionalização do BPN e mostrou-se favorável à venda do banco. Elogiou a comissão de inquérito parlamentar ao caso e concluiu que "a imagem do Banco de Portugal" e do seu governador Vítor Constâncio "saíram afectadas". Quando questionada sobre Dias Loureiro neste processo, a antiga companheira dos governos de Cavaco Silva e até do Conselho de Estado preferiu "não fazer juízos de valor sobre as pessoas".

Já o imbróglio do BPP mereceu--lhe as "maiores preocupações" porque envolve as poupanças de portugueses entregues a um sistema bancário que deveria ser de confiança. Neste ponto, Manuela Ferreira Leite garantiu que se fosse ministra das Finanças, ao invés do que aconteceu com Teixeira dos Santos, não ficaria oito meses calada perante um problema gravíssimo e enquanto as contas estavam congeladas. "O ministro das Finanças falhou rotundamente!"

Voltou à carga contra Sócrates ao acusá-lo de faltar à verdade ao dizer que desconhece a intenção da PT em adquirir 30% da Media Capital, proprietária da TVI. E se o negócio se concretizar e com ele a substituição do director-geral do canal de televisão, José Eduardo Moniz, então, disse a líder laranja, "é gato escondido com o corpo de fora". Uma eventual ingerência na linha editorial do canal mais agressivo para o Governo e o primeiro-ministro foi considerada por Ferreira Leite como "escandalosa" e "gravíssima para a democracia".

A presidente do PSD voltou a dizer que não vai pedir a maioria absoluta aos portugueses que apenas têm de escolher se querem manter Sócrates no poder. "Se não quiserem é melhor não dispersarem os votos." Recusou-se a falar de cenários pós-eleitorais, incluindo alianças com o CDS.

Disse claramente que os "barões" e "baronetes" do PSD não podem ser "menosprezados" e garantiu que o partido está unido para o combate eleitoral. Quanto a Pedro Passos Coelho ser candidato a deputado, colocou-o como hipótese: "Com certeza que daria um bom deputado."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.