Moniz não vai para o Benfica

José Eduardo Moniz anunciou hoje que não vai avançar com uma candidatura à presidência do Benfica. Para tal,  convocou uma conferência de imprensa para apresentar as razões da sua decisão.

"Sou do Benfica desde que me lembro e desde há algum tempo sigo com amargura um clube que passou da glória à banalidade", disse.

Eduardo Moniz revelou que teve vários convites para avançar com uma candidatura à presidência do Benfica mas considerou "não estarem reunidas as condições para avançar".

Como justificação da sua tomada de posição alegou falta de tempo para preparar uma candidatura, criticando a forma como a actual direcção do clube marcou as eleições.

"É preciso conhecer os dossiês e um projecto credível necessita de tempo, tempo esse que a actual direcção, não se sabe porquê, decidiu tornar escasso".

Crítico em relação à actualidade do clube, Eduardo Moniz afirmou que "assisto com estupefacção como um debate de ideias é trocado por insultos".

A finalizar, considerou que lançar uma candidatura só vale a pena " se for um projecto de mudança, onde só o Benfica importe e que devolva o clube à grandeza que sempre teve".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.