Moniz deixa espada a pender sobre cabeça de Vieira

José Eduardo Moniz sabe do tema: "Estão todos prontos? Ai falta a RTP? Não quero discriminar ninguém..." O director-geral da TVI esteve largos minutos à espera dos sinais dos satélites para as televisões, sentado na mesa do hotel que escolheu para dizer que não avança para uma candidatura ao Benfica. Não avança agora. "Se fosse em Outubro estaria aqui a contar outra história." Luís Filipe Vieira levou que contar deste workshop de comunicação.

De gravata vermelha, com o timbre certo, a entoação de palavras, ou frases, escolhidas ("golpe estatutário", por exemplo...) a dedo entre a meia dúzia de folhas vermelhas em que tinha escrito o discurso, Moniz deixou uma espada sobre Vieira, a quem parece ter entregue mais um mandato na presidência do Benfica. "Não sei se haverá outro candidato", disse sobre o 'Movimento Benfica Vencer, Vencer' - registe-se, obviamente, que nenhum dos membros da lista de José Veiga e companhia estava por perto.

Foi decidido, a falar de um "amor de sempre" - "sou benfiquista desde que me lembro" -, que Moniz parece ter enterrado as eleições do Benfica. Fica pouco tempo, ou nenhum, para Veiga sacar da cartola um nome forte que concorra com Vieira. Mas também fica pouco espaço para Vieira, diga-se. "No final do jogo com a Académica [derrota em casa], pela primeira vez, enviei uma mensagem ao presidente do Benfica a comunicar-lhe que a situação era insustentável", alinhou Moniz. E mesmo que insistindo em que não concorre nunca a nada "contra ninguém", e que por isso não se pode dizer que concorreria "contra Vieira", ficou clara a mensagem. Sobretudo quando falou, e falou muito e incisivamente, na falta de tempo para um projecto destes, desde que Vieira antecipou as eleições.

"É preciso conhecer os dossiês e um projecto credível necessita de tempo, tempo esse que a actual direcção, não se sabe porquê, decidiu tornar escasso", atacou o director- -geral da TVI - aliás, garantiu que na estação seriam criadas "condições, de uma maneira ou de outra", para poder ser presidente do Benfica.

Moniz falou ainda de "ameaças sibilinas", explicando posteriormente, em resposta a perguntas dos jornalistas, que recebeu "alguns recados". "Não vou adiantar mais sobre isso", atalhou.

E deixou claro que a contratação de um treinador também não lhe parece uma prática salutar. "Ia gerir o projecto de outros", referiu-se, deixando, subliminarmente, um elogio a Rui Costa. "Há gente com qualidade a gerir o futebol."

"Há algum tempo sigo com amargura um clube que passou da glória à banalidade", disse também o comunicador e jornalista (carteira profissional número 171).

Pelo meio, e a finalizar, reptos de adepto: "Só vale a pena se for um projecto de mudança, onde só o Benfica importe e que devolva o clube à grandeza que sempre teve." E saiu entre disparos de flashes.

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