José Eduardo Moniz queria Rui Costa como embaixador

O director-geral da TVI explicou ontem que o ex-futebolista foi lançado às feras prematuramente. Se tivesse ido a votos e ganhasse, Moniz queria o ex-jogador num cargo análogo ao de Baía no FC Porto

José Eduardo Moniz não queria manter Rui Costa como director desportivo caso vencesse as eleições de 3 de Julho ou as de Outubro, data inicialmente agendada e para a qual se estava a preparar, como disse na conferência de imprensa em que anunciou a sua decisão.

Ontem, no programa Diga Lá Excelência, da Rádio Renascença, e do jornal Público, o director-geral da TVI explicou o que pensa de Rui Costa e deu a entender claramente que o seu actual cargo seria desempenhado por José Veiga. Não referiu explicitamente, mas o perfil enunciado não podia ser mais à medida de Veiga.

"No papel que exerce actualmente, ou noutro qualquer, Rui Costa tem o seu valor. Foi utilizado e lançado às feras antes do tempo. Há outras pessoas mais apetrechadas para aquele papel. O Rui Costa faz parte do património do Benfica, naturalmente não pode ser dispensado no conjunto geral de orientação do Benfica. Há outras pessoas igualmente competentes, igualmente experientes, que estão fora do Benfica e disponíveis, e que já tiveram sucesso no Benfica", referiu.

Segundo o DN apurou, Rui Costa foi posto a par desta candidatura e algumas pessoas do "Movimento Benfica Vencer, Vencer" chegaram a ter algumas conversas com o actual director desportivo.

José Eduardo Moniz, nas conversas que manteve com José Veiga, chegou a alvitrar um cargo de administrador da SAD para Rui Costa, contudo, com o evoluir do diálogo chegou à conclusão de que o antigo futebolista encaixaria como uma luva no papel de embaixador do clube, um cargo análogo ao que Vítor Baía exerce no FC Porto e que passa pela representação do clube a nível nacional e internacional.

Haveria sempre uma bota para descalçar, pois José Veiga e Rui Costa não têm uma relação cordial, que remonta ao regresso do antigo futebolista à Luz.

Ontem, Moniz voltou a criticar Luís Filipe Vieira e o discurso dissonante com o administrador para a área financeira, Domingos Soares Oliveira. "Havia necessidade de perceber sempre qual era o estado real da situação financeira do Benfica. Quais os dados existentes, quais as relações com a banca. Não se pode chegar ao Benfica e no dia seguinte chegar à conclusão de que não há dinheiro na tesouraria. Há dois dias vi o actual presidente dizer que não precisa de vender jogadores nenhuns e o administrador dizer que era preciso vender jogadores por 60 milhões de euros. Pelo pouco que consegui apurar, garantem-me que é preciso vender jogadores. Mesmo que eu ganhasse, e era fácil pelo que me diziam, há uma sondagem que diz que eu ganharia. No dia seguinte chegava lá e encontrava um projecto que não era o meu.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.