Vendas renderam mais de um milhão

Mediatismo do processo e dos arguidos justificam edição de 13 livros. No total, foram mais de 70 mil exemplares vendidos, faturando mais de um milhão de euros. 'Preso 374', primeiro livro de Cruz, é o campeão de vendas.

Mais de três mil páginas escritas por mais de uma dezena de autores colocaram nas livrarias 13 livros sobre o processo Casa Pia durante os últimos dez anos. Carlos Cruz, o arguido mais mediático, foi o primeiro dos protagonistas do caso a saciar a curiosidade da opinião pública. Lidera as vendas, com Preso 374, editado logo em 2004.

Segundo dados recolhidos pelo DN junto das editoras que apostaram em livros relacionados com o processo, as vendas ultrapassam os 70 mil exemplares, faturando mais de um milhão de euros. Valor que peca por defeito, uma vez que apenas existem dados sobre vendas relativas a sete dos 13 livros publicados.

O pontapé de saída desta maratona editorial foi dado logo em 2003 e em 10 anos de processo o maior êxito editorial é Preso 374, publicado pouco depois do início do julgamento, no final de 2004, escrito por Carlos Cruz com base no diário que escreveu durante os 458 dias de prisão preventiva que cumpriu. Em janeiro de 2012, Cruz editou novo livro, Inocente para Além de Qualquer Dúvida. Com um preço de capa de 21,98 euros, tem apenas uma edição de cinco mil exemplares.

Francisco Guerra e Bernardo Teixeira, dois dos jovens casapianos vítimas de abusos, completam o pódio dos livros mais vendidos. Uma Dor Silenciosa, de Francisco Guerra, editado em novembro de 2010, após a leitura da sentença do julgamento que condenou sete dos seis arguidos, já vai na terceira edição, com vendas superiores a 15 mil exemplares. "Tendo o Francisco sido considerado pelo tribunal como uma das principais testemunhas, pareceu-nos óbvio o interesse que o seu relato dos acontecimentos suscitaria junto do público", explicou ao DN Maria João Costa. A antiga editora da Livros d'Hoje, chancela do grupo Leya que para além do livro do jovem casapiano também publicou o de Raquel Rocheta, explicou que, no caso da ex-mulher de Carlos Cruz, o objetivo era "contar a história de superação de uma mulher que, sem ter nada que ver com o assunto, se viu envolvida numa história terrível e pesada, que afetou profundamente a sua vida". Uma aposta que suscitou menos curiosidade, com apenas metade dos 15 mil livros impressos vendidos.

"A importância do testemunho inédito de Bernardo Teixeira, numa altura em que a sociedade portuguesa vivia chocada com o escândalo de pedofilia na Casa Pia", foi o aspeto decisivo para Sofia Monteiro, diretora editorial da Esfera dos Livros, apostar neste lançamento que, desde setembro de 2009, já vendeu 10 mil exemplares.

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