Papas devem ser "livres" para renunciar, diz Cardeal

(CORRIGIDO ÀS 16h35) O Cardeal Christoph Schönborn, um dos possíveis candidatos à sucessão de Bento XVI, afirma que a renúncia do papa é um exemplo de que a Igreja pode libertar-se de tradições supérfluas.

"O importante é que a renúncia seja livre" e, portanto, que se descarte no seu momento a "pressão" para os papas que o venham a fazer, defende o Cardeal de Viena, Christoph Schönborn, numa entrevista ao seminário austríaco Profil. Para o candidato à sucessão, ainda que não de primeira linha, a decisão de Bento XVI foi de "consciência pessoal" e algo que já previa e regulava o Código de Direito Canónico de 1917.

Schönborn afirma que o inesperado passo de Joseph Ratzinger põe em manifesto o núcleo bíblico e teológico do Papado. "Pedro, o Papa, é a rocha sobre que Cristo funda a sua Igreja", Bento XVI mostra-nos claramente que o essencial do Papa não é "senão aquilo que Deus faz com ele e através dele".

A dimensão do Papa pode levar a que a Igreja se liberte das tradições que se poderiam considerar, em algum sentido, "supérfluas", de validade discutível, como já ocorreu com o uso de latim na liturgia, explica o cardeal. No entanto, Schönborn acrescenta que a Igreja não pode abandonar as tradições que chegam da revelação da fé, e como indicações do próprio Jesus Cristo, como a indissolubilidade do matrimónio.

Christoph Schönborn descende de uma família nobre austríaca, sendo um discipulo de Ratzinger, e um importante teólogo, que se destacou na elaboração do Catecismo da Igreja Católica.

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