Manuel Morujão diz que resignação é decisão corajosa

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, Manuel Morujão, encarou como uma decisão corajosa e de grande lucidez a resignação de Bento XVI, por motivos de idade e falta de forças.

"É uma grande exceção na história do papado da igreja", disse à agência Lusa o representante da Conferência Episcopal.

Para Manuel Morujão, a atitude do papa revela a coragem e lucidez de "alguém que reconhece que o melhor serviço que pode prestar à igreja é passar o testemunho" ao papa seguinte, a "alguém mais jovem".

Para suceder a Bento XVI, o mais natural, segundo Morujão, é os cardeais escolherem um cardeal que esteja no Conclave.

A partir do dia 28, as funções do papa deverão ser assumidas por um cardeal camarelengo (substituto), com toda a responsabilidade que tem como acontece quando um papa morre, explicou.

"Tem a responsabilidade de governar a Igreja na ausência do papa", referiu.

Este cardeal convocará "em tempo oportuno" o novo Conclave, ou seja, a reunião dos cardeais com menos de 80 anos, para encontrar o sucessor de Bento XVI.

Manuel Morujão recordou que Bento XVI havia já admitido a possibilidade de um papa resignar por falta de forças, em entrevista a um jornalista alemão que deu origem a um livro -- "A Luz do Mundo".

O Papa Bento XVI, 85 anos, anunciou hoje oficialmente que vai renunciar no dia 28 ao pontificado, devido à idade avançada.

"Depois de examinar reiteradamente a minha consciência perante Deus, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério de Pedro (petrino)", anunciou o papa.

Um novo papa será escolhido até à Páscoa, a 31 de março, disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, anunciando que um conclave deve ser organizado entre 15 e 20 dias após a resignação do pontífice.

O último chefe da Igreja Católica a renunciar foi Gregório XII, no século XV (1406-1415).

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